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Brasão da PUC-Rio

Coordenação Central de Pós-Graduação e Pesquisa

Programa de Pós-Graduação em Geografia

Contatos:

site: www.puc-rio.br/geografia/

E-mail:posgeo@puc-rio.br
Telefones:(021) 3527-1667


Coordenadora:

Prof. Alvaro Henrique de Souza Ferreira


Local:

Departamento de Geografia
e Meio Ambiente
R. Marquês de São Vicente, 225 Ala Frings, Sala 411F . Gávea - 22453-900 Rio de Janeiro


Horário de atendimento:

12h e das 13h30 às 17h

 

Sobre o programa

Apresentação e Histórico

Na história do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio, o curso de Geografia, que foi criado em 1941, sempre teve como objetivo formar profissionais capazes de enfrentar os desafios postos à nossa sociedade. Atualmente, a preocupação do curso se baseia na compreensão das diferentes formas de organização do espaço, enfatizando a análise dos problemas ambientais de um ponto de vista plural e interdisciplinar. Nesse sentido vem tendo seu papel reconhecido e apresenta um enorme potencial quanto à contribuição na formação de profissionais da Geografia e de várias ciências que, conjuntamente, participam da busca de um uso mais democrático do território por seus atores sociais e agentes, ou seja, pelos homens, pelas empresas, pelas instituições. A ênfase deve permanecer na questão ambiental, entendida no sentido amplo (incluindo o natural e o social) como, de há muito, vem sendo priorizado em nosso departamento.

O Programa de Pós-Graduação em Geografia (PGE) da PUC-Rio, iniciado no segundo semestre de 2007, vem revelando o seu potencial de articulação entre segmentos de formação de ensino e pesquisa (graduação e pós-graduação), interinstitucional (caráter nacional e internacional) e de atividades de ensino, pesquisa e extensão, o que mostra a sua importância no contexto de formação do profissional do Rio de Janeiro, Brasil e outros países.

A proposta de curso reside na busca de formas concretas de exercício da interdisciplinaridade no tratamento dos processos sociais, culturais e ecológicos. Assim sendo, o programa admite candidatos com graduação em ciências humanas, sociais e biológicas.

O Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC-Rio, recomendado pela CAPES desde novembro de 2006, conta com os cursos de Doutorado em Geografia e de Mestrado em Geografia.

 

 

Mestrado

Apresentação

O Programa de Mestrado em Geografia da PUC-Rio, recomendado pela CAPES em novembro de 2006, tem como área de concentração Geografia e Sustentabilidades, que se estrutura em três linhas de pesquisa: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos; Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; e Educação Geográfica e Cidadania.

A proposta de curso reside na busca de formas concretas de exercício da interdisciplinaridade no tratamento da espacialidade dos processos sociais, culturais e ecológicos. Assim sendo, o programa admite candidatos com graduação em ciências humanas, sociais e biológicas. A convergência dos focos das suas duas primeiras linhas de pesquisa se dá pela apreciação da dimensão cultural e social dos processos ecológicos na linha “Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos” e na busca da dimensão do ambiente natural nas relações sociais ligadas às questões da sustentabilidade na linha “Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades”. A linha “Educação Geográfica e Cidadania” incorpora a construção teórica das outras duas linhas para o desenvolvimento de suas pesquisas.

 


Objetivos


 


Áreas de concentração e Linhas de pesquisa

Área de concentração: Geografia e Sustentabilidades
Linhas de Pesquisa

1) Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades
2) Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
3) Educação Geográfica e Cidadania


Informações sobre as linhas de pesquisa

Área de concentração: Geografia e Sustentabilidades

Linha de pesquisa: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades
A categoria espaço incorpora múltiplas possibilidades de investigação, entretanto partiremos do olhar da Geografia; o que não exclui a contribuição de outras áreas do conhecimento. É preciso incorporar as dimensões físicas, mentais e sociais do espaço, isto é a sua multidimensionalidade.

Trata-se de incorporar o espaço da experiência e da percepção vivida através do prático-sensível; o espaço concebido e ligado a relações de poder; o espaço vivido das emoções e significados que experimentamos diariamente, mas também da imaginação e do sonhar com outras possibilidades do real.

O espaço, como produto social, é político; então estratégico e pleno de ideologia. Em nosso dia a dia lidamos com costumes, normas, regras e leis que ditam nosso comportamento e modo de vida. Pensar o espaço significa incorporar as relações sociais e a história construída nos lugares, tendo em conta que tais relações são desiguais e exprimem intencionalidades.

O controle do espaço torna-se fundamental para o exercício do poder, e os atores sociais o utilizam com diferentes objetivos, dentre os quais: desconcentração industrial, segregação espacial, organização dos diversos fluxos subordinando-os a regras definidas, reordenação espacial através do discurso dos especialistas. O Estado tem aqui um papel fundamental, já que tem o poder de viabilizar as formas de exclusão ou de amenizá-las, pode contribuir para a produção do espaço que viabilize a dinâmica imobiliária e financeira e/ou investir nos serviços e na produção propriamente dita, além de ser um dos atores a instituir as regras do jogo cotidiano vivido nos territórios pelos diversos grupos sociais.

As formas de dominação do cotidiano se apresentam cada vez mais elaboradas, tendendo à mercadificação dos menores aspectos do vivido, a partir de uma lógica que se materializa constantemente e se reconfigura incessantemente na vida das pessoas comuns ao vivenciarem seu cotidiano. A vivência do cotidiano é algo inexorável à natureza humana, mas que essa mesma natureza está sendo programada por atores hegemônicos. Vivemos um cotidiano programado, em que a repetição rotineira e a exacerbação dos valores da sociedade do consumo passam a ser predominantes, todavia há possibilidades de ruptura dessa lógica, seja a partir de reflexões e construções intelectuais, seja através da arte, ou através da construção de novas formas de gestão. Reconfigura-se, dessa maneira, o espaço e as relações sociais que fortalecem o vivido, contrapondo-se à dominação do cotidiano por lógicas normatizadoras que não estão acordadas socialmente e/ou que são pouco adequadas à realidade atual. Estaríamos, assim, ainda que partindo de táticas e estratégias residuais, caminhando para a construção de um espaço diferencial, já que modificaríamos os ritmos, as trajetórias e os fluxos do cotidiano, contribuindo para a ressignificação dos lugares e do próprio ser humano, a partir da desalienação que pode ser conseguida através de ações políticas diversas.

Pensar o cotidiano a partir da Geografia permite-nos perceber que a metropolização do espaço é um processo que acentua a homogeneização do espaço e sua fragmentação, além de alterar a hierarquização dos lugares.

O discurso acerca da sustentabilidade pode também ser desenvolvido a partir dos processos de homogeneização, fragmentação e hierarquização, que subsidiariam uma ampliação do alcance da noção de sustentabilidade, como sustentabilidades, abrangendo a Geografia, a Ecologia e a Economia Política.

As sustentabilidades devem ancorar-se na relação entre as possibilidades do ambiente, a construção da autonomia e o reforço da identidade e do respeito à alteridade, valorizando as características culturais particulares, nas escalas nacional, regional e local, afastando-se, assim, do modelo único de sustentabilidade (heterônomo) e a ele oferecendo resistência, para evitar o que para nós seriam as sustentabilidades geograficamente desiguais.

Linha de pesquisa: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
A linha de pesquisa tem como pano de fundo as relações sociedade/natureza tomadas a partir de uma perspectiva que combina as visões da Geografia, Antropologia Ecológica, Economia Ambiental, Ecologia Histórica e História Ambiental. A integração das vertentes humana e física da Geografia constitui o leitmotiv não só da presente linha, como também da filosofia da proposta de doutorado em Geografia da PUC-Rio.

Qualquer definição de sustentabilidade que relacione as interações sociedade/natureza implica na necessidade de se observar as sociedades e os sistemas naturais em suas interações no tempo e no espaço. Em contraposição a algumas ciências clássicas, cuja visão fragmentada dos fenômenos levou à separação dos objetos da ordem social e os da ordem natural, a pesquisa em sustentabilidade não assume os objetos de estudo como isolados, mas como sistemas que acoplam e integram as vertentes sociais e ecológicas da paisagem.

A paisagem é o exemplo mais proeminente de sistemas complexos e processos dinâmicos de interação socioecológicos, ao tempo em que deve ser interpretada como um documento histórico e a expressão do metabolismo social de uma sociedade. A vertente mais visível da paisagem é o uso do solo, que integra inúmeras dimensões de sistemas socioecológicos. A análise da percepção ambiental, do chamado conhecimento etnoecológico e dos valores culturais da natureza permitem desenhar o modelo cultural de uma dada população, relativamente à integração dos elementos físico-naturais da paisagem.

A linha pauta-se na assunção de que o motor da transformação da paisagem são os sistemas socioecológicos. As paisagens culturais são resultados desses processos históricos e coevolutivos de interação entre sistemas sociais e ecossistemas. Constituem a expressão biofísica de mudanças socioecológicas ao longo do tempo.

Estes devem ser entendidos como sistemas complexos que possuem atributos como não linearidade, incerteza, variabilidade, escala e auto-organização. Os sistemas complexos se organizam em torno de vários estados possíveis de equilíbrio, sejam intermediários ou efêmeros e constituem assembleias inerentemente complexas, espacialmente heterogêneas e que mudam de acordo com uma intricada rede de fatores socioeconômicos e biofísicos.

Existe uma importante intermediação entre os dois subsistemas sociedade e natureza: as funções ecossistêmicas (também chamados de serviços ambientais). As etapas de transformação do bioma da Mata Atlântica tiveram como consequência principalmente o aparecimento, ao longo do tempo, de duas resultantes ambientais: a deflagração de processos erosivos e a perda da biodiversidade. Estes dois processos trouxeram um custo imediato e constante à sociedade. As variáveis geológicas, geotécnicas e pedológicas têm influência, muitas vezes, mais importantes que a própria cobertura vegetal. A composição do substrato geológico e as feições geomorfológicas influenciam diretamente a distribuição das águas, definindo fatores limitantes à própria fixação da vegetação, bem como a distribuição de recursos a serem explorados economicamente. O risco natural não existe, ele é construído socialmente.

O bioma da Mata Atlântica compreende uma diversidade de ambientes, ora predominantemente dominados pelas atividades socioculturais da população local, ora predominantemente dominados por uma vegetação nativa em diferentes estágios de recomposição. Estes ambientes culturalmente ricos levaram a modificações na estrutura e composição da vegetação e funcionalidade ecológica destes ecossistemas, sendo considerados ecossistemas novos ou emergentes. Ecossistemas emergentes apresentam uma composição de espécies e padrões de dominância não vistos antes em um dado bioma, e que apresentam um potencial para mudança no funcionamento do ecossistema. Esses ecossistemas podem ser considerados como forma intermediária num gradiente que varia de ecossistemas ‘naturais’ (‘selvagens’) até os totalmente manejados ou alterados pelo homem.

Linha de pesquisa: Educação Geográfica e Cidadania
A conexão entre a ciência geográfica e a sociedade em geral, desde o século XIX, dá-se, primordialmente, através do seu ensino nas redes de educação públicas, privadas, alternativas..., e a escola, como instituição da Modernidade, que define o cotidiano em núcleos sociais diversos, busca articular, didaticamente, a ciência produzida na Academia com o ambiente social vivido, nas suas várias épocas e das mais diversas perspectivas ideológicas e funcionais.

A linha Educação Geográfica e Cidadania propõe-se a colaborar para uma constante reflexão sobre as bases pedagógicas e temáticas da Geografia na produção dos saberes docente e discente. A autonomia profissional dos professores se faz, também, pela necessidade de eles buscarem instrumentos conceituais educativos que possibilitem uma (re)leitura competente do mundo, visto que as transformações espaciais ocorrem em uma velocidade cada vez maior.  Valoriza-se o objetivo de instigar os docentes de geografia a desenvolverem suas autonomias nas pesquisas, tanto a partir da sala de aula quanto dos conceitos, temas e metodologias que são reelaborados diariamente em grupos de pesquisa sobre a educação geográfica. Isso possibilita a identificação de uma dinâmica espacial capaz de criar novas contexturas, impulsionando-nos ao novo, ao diferente e, muitas vezes, ao inusitado.     

 


Reconhecimento do curso

Mestrado

Reconhecimento:
Avaliado pela CAPES com conceito 4, para o quadriênio 2013-2016, e reconhecido pela homologação do parecer CNE/CES nº 487/2018, através da Portaria do MEC nº 609 de 14/03/2019 publicada no D.O.U. nº 52 de 18/03/2019, p. 61.

Títulos atribuídos:
Mestre e/ou Doutor em Geografia

 


Requisitos para obtenção dos títulos de Mestre em Geografia

 

 

Admissão e Matrícula

Mestrado

A inscrição e a seleção de candidatos obedecerão ao calendário fixado pela PUC-RIO. Além dos requisitos gerais regulamentares, o Departamento de Geografia e Meio Ambiente exige do candidato:

Prova escrita e Proposta de Trabalho – conforme Edital

 


Grade curricular

Disciplinas:

Disciplinas Obrigatórias:

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2001 Paisagem, Espaço e Sustentabilidades 4
GEO2002 Teoria e Epistemologia da Geografia 4
GEO3200 Estágio Docência na Graduação 0

Disciplinas Eletivas da Linha Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2101 Ética Ambiental 4
GEO2102 História Ambiental 4
GEO2103 Populações Tradicionais e Manejo de Ecossistemas 4
GEO2104 Ecologia da Paisagem 4
GEO2105 Biogeografia e Transformação da Paisagem 4
GEO2106 Evolução da Paisagem Geomorfológica 4
GEO2505 Tópicos Especiais em Geografia e Sustentabilidades 4
GEO2301 Sensoriamento Remoto e Estudo da Paisagem 4
GEO2302 Sistema de Informações Geográficas Aplicado à Análise Ambiental 4
GEO2303 Métodos Quantitativos Aplicados à Análise Ambiental 4

Disciplinas Eletivas da Linha Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2201 Espaço, Território, Região 4
GEO2202 Espaço Produtivo e Sustentabilidades 4
GEO2203 Urbanização e Política Ambiental 4
GEO2204 Dinâmica do Espaço Rural Contemporâneo 4
GEO2205 Representações do Espaço Urbano 4
GEO2206 Desenvolvimento e Transformações Territoriais 4
GEO2207 Redução das Desigualdades Sociais e Sustentabilidades 4
GEO2208 Planejamento e Gestão do Território 4
GEO2505 Tópicos Especiais em Geografia e Sustentabilidades 4

Disciplinas de Atividades de Dissertação

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2401 Estudo Dirigido em Linha de Pesquisa 4
GEO2402 Seminário de Dissertação 4
GEO3000 Dissertação de Mestrado 0

Doutorado

Apresentação

O Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC-Rio, recomendado pela CAPES em abril de 2015, tem como área de concentração Geografia e Sustentabilidades, que se estrutura em três linhas de pesquisa: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; e Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos; e Educação Geográfica e Cidadania.


O programa procura retomar a tradição geográfica, tendo como referência central a relação sociedade-natureza entendida, na maior parte do tempo, como relação homem-meio. Mesmo que outros ramos da ciência se dediquem a essa referência, na Geografia ela emerge como tema fundador e permanente. A busca da síntese natureza/sociedade obriga ao exercício da interdisciplinaridade e, ao mesmo tempo, coloca a Geografia na procura por um discurso específico centrado não apenas na “naturalidade” pura dos fenômenos, mas, fundamentalmente, em suas interrelações com os fatos sociais.


Refletir sobre a relação sociedade-natureza implica pensar o valor social que se agrega a estas noções, renunciando às associações simplistas e, muitas vezes, de cunho puramente ideológico. Assim, novos caminhos têm de ser buscados para superar os impasses paradigmáticos que marcam o momento presente. A procura por outras racionalidades, seja no presente ou no passado, é um desses caminhos.

 


Objetivos

 


Áreas de concentração e Linhas de pesquisa

Área de concentração: Geografia e Sustentabilidades
Linhas de Pesquisa

1) Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades
2) Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
3) Educação Geográfica e Cidadania


Informações sobre as linhas de pesquisa

Área de concentração: Geografia e Sustentabilidades

Linha de pesquisa: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades
A categoria espaço incorpora múltiplas possibilidades de investigação, entretanto partiremos do olhar da Geografia; o que não exclui a contribuição de outras áreas do conhecimento. É preciso incorporar as dimensões físicas, mentais e sociais do espaço, isto é a sua multidimensionalidade.

Trata-se de incorporar o espaço da experiência e da percepção vivida através do prático-sensível; o espaço concebido e ligado a relações de poder; o espaço vivido das emoções e significados que experimentamos diariamente, mas também da imaginação e do sonhar com outras possibilidades do real.

O espaço, como produto social, é político; então estratégico e pleno de ideologia. Em nosso dia a dia lidamos com costumes, normas, regras e leis que ditam nosso comportamento e modo de vida. Pensar o espaço significa incorporar as relações sociais e a história construída nos lugares, tendo em conta que tais relações são desiguais e exprimem intencionalidades.

O controle do espaço torna-se fundamental para o exercício do poder, e os atores sociais o utilizam com diferentes objetivos, dentre os quais: desconcentração industrial, segregação espacial, organização dos diversos fluxos subordinando-os a regras definidas, reordenação espacial através do discurso dos especialistas. O Estado tem aqui um papel fundamental, já que tem o poder de viabilizar as formas de exclusão ou de amenizá-las, pode contribuir para a produção do espaço que viabilize a dinâmica imobiliária e financeira e/ou investir nos serviços e na produção propriamente dita, além de ser um dos atores a instituir as regras do jogo cotidiano vivido nos territórios pelos diversos grupos sociais.

As formas de dominação do cotidiano se apresentam cada vez mais elaboradas, tendendo à mercadificação dos menores aspectos do vivido, a partir de uma lógica que se materializa constantemente e se reconfigura incessantemente na vida das pessoas comuns ao vivenciarem seu cotidiano. A vivência do cotidiano é algo inexorável à natureza humana, mas que essa mesma natureza está sendo programada por atores hegemônicos. Vivemos um cotidiano programado, em que a repetição rotineira e a exacerbação dos valores da sociedade do consumo passam a ser predominantes, todavia há possibilidades de ruptura dessa lógica, seja a partir de reflexões e construções intelectuais, seja através da arte, ou através da construção de novas formas de gestão. Reconfigura-se, dessa maneira, o espaço e as relações sociais que fortalecem o vivido, contrapondo-se à dominação do cotidiano por lógicas normatizadoras que não estão acordadas socialmente e/ou que são pouco adequadas à realidade atual. Estaríamos, assim, ainda que partindo de táticas e estratégias residuais, caminhando para a construção de um espaço diferencial, já que modificaríamos os ritmos, as trajetórias e os fluxos do cotidiano, contribuindo para a ressignificação dos lugares e do próprio ser humano, a partir da desalienação que pode ser conseguida através de ações políticas diversas.

Pensar o cotidiano a partir da Geografia permite-nos perceber que a metropolização do espaço é um processo que acentua a homogeneização do espaço e sua fragmentação, além de alterar a hierarquização dos lugares.

O discurso acerca da sustentabilidade pode também ser desenvolvido a partir dos processos de homogeneização, fragmentação e hierarquização, que subsidiariam uma ampliação do alcance da noção de sustentabilidade, como sustentabilidades, abrangendo a Geografia, a Ecologia e a Economia Política.

As sustentabilidades devem ancorar-se na relação entre as possibilidades do ambiente, a construção da autonomia e o reforço da identidade e do respeito à alteridade, valorizando as características culturais particulares, nas escalas nacional, regional e local, afastando-se, assim, do modelo único de sustentabilidade (heterônomo) e a ele oferecendo resistência, para evitar o que para nós seriam as sustentabilidades geograficamente desiguais.


Linha de pesquisa: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
A linha de pesquisa tem como pano de fundo as relações sociedade/natureza tomadas a partir de uma perspectiva que combina as visões da Geografia, Antropologia Ecológica, Economia Ambiental, Ecologia Histórica e História Ambiental. A integração das vertentes humana e física da Geografia constitui o leitmotiv não só da presente linha, como também da filosofia da proposta de doutorado em Geografia da PUC-Rio.

Qualquer definição de sustentabilidade que relacione as interações sociedade/natureza implica na necessidade de se observar as sociedades e os sistemas naturais em suas interações no tempo e no espaço. Em contraposição a algumas ciências clássicas, cuja visão fragmentada dos fenômenos levou à separação dos objetos da ordem social e os da ordem natural, a pesquisa em sustentabilidade não assume os objetos de estudo como isolados, mas como sistemas que acoplam e integram as vertentes sociais e ecológicas da paisagem.

A paisagem é o exemplo mais proeminente de sistemas complexos e processos dinâmicos de interação socioecológicos, ao tempo em que deve ser interpretada como um documento histórico e a expressão do metabolismo social de uma sociedade. A vertente mais visível da paisagem é o uso do solo, que integra inúmeras dimensões de sistemas socioecológicos. A análise da percepção ambiental, do chamado conhecimento etnoecológico e dos valores culturais da natureza permitem desenhar o modelo cultural de uma dada população, relativamente à integração dos elementos físico-naturais da paisagem.

A linha pauta-se na assunção de que o motor da transformação da paisagem são os sistemas socioecológicos. As paisagens culturais são resultados desses processos históricos e coevolutivos de interação entre sistemas sociais e ecossistemas. Constituem a expressão biofísica de mudanças socioecológicas ao longo do tempo.

Estes devem ser entendidos como sistemas complexos que possuem atributos como não linearidade, incerteza, variabilidade, escala e auto-organização. Os sistemas complexos se organizam em torno de vários estados possíveis de equilíbrio, sejam intermediários ou efêmeros e constituem assembleias inerentemente complexas, espacialmente heterogêneas e que mudam de acordo com uma intricada rede de fatores socioeconômicos e biofísicos.

Existe uma importante intermediação entre os dois subsistemas sociedade e natureza: as funções ecossistêmicas (também chamados de serviços ambientais). As etapas de transformação do bioma da Mata Atlântica tiveram como consequência principalmente o aparecimento, ao longo do tempo, de duas resultantes ambientais: a deflagração de processos erosivos e a perda da biodiversidade. Estes dois processos trouxeram um custo imediato e constante à sociedade. As variáveis geológicas, geotécnicas e pedológicas têm influencia, muitas vezes, mais importantes que a própria cobertura vegetal. A composição do substrato geológico e as feições geomorfológicas influenciam diretamente a distribuição das águas, definindo fatores limitantes à própria fixação da vegetação, bem como a distribuição de recursos a serem explorados economicamente. O risco natural não existe, ele é construído socialmente.

O bioma da Mata Atlântica compreende uma diversidade de ambientes, ora predominantemente dominados pelas atividades socioculturais da população local, ora predominantemente dominados por uma vegetação nativa em diferentes estágios de recomposição. Estes ambientes culturalmente ricos levaram a modificações na estrutura e composição da vegetação e funcionalidade ecológica destes ecossistemas, sendo considerados ecossistemas novos ou emergentes. Ecossistemas emergentes apresentam uma composição de espécies e padrões de dominância não vistos antes em um dado bioma, e que apresentam um potencial para mudança no funcionamento do ecossistema. Esses ecossistemas podem ser considerados como forma intermediária num gradiente que varia de ecossistemas ‘naturais’ (‘selvagens’) até os totalmente manejados ou alterados pelo homem.

Linha de pesquisa: Educação Geográfica e Cidadania

A conexão entre a ciência geográfica e a sociedade em geral, desde o século XIX, dá-se, primordialmente, através do seu ensino nas redes de educação públicas, privadas, alternativas..., e a escola, como instituição da Modernidade, que define o cotidiano em núcleos sociais diversos, busca articular, didaticamente, a ciência produzida na Academia com o ambiente social vivido, nas suas várias épocas e das mais diversas perspectivas ideológicas e funcionais.

A linha Educação Geográfica e Cidadania propõe-se a colaborar para uma constante reflexão sobre as bases pedagógicas e temáticas da Geografia na produção dos saberes docente e discente. A autonomia profissional dos professores se faz, também, pela necessidade de eles buscarem instrumentos conceituais educativos que possibilitem uma (re)leitura competente do mundo, visto que as transformações espaciais ocorrem em uma velocidade cada vez maior.  Valoriza-se o objetivo de instigar os docentes de geografia a desenvolverem suas autonomias nas pesquisas, tanto a partir da sala de aula quanto dos conceitos, temas e metodologias que são reelaborados diariamente em grupos de pesquisa sobre a educação geográfica. Isso possibilita a identificação de uma dinâmica espacial capaz de criar novas contexturas, impulsionando-nos ao novo, ao diferente e, muitas vezes, ao inusitado. 

 


Reconhecimento do curso

Doutorado

Reconhecimento:
Avaliado pela CAPES com conceito 4 e reconhecido pela homologação do parecer CNE/CES nº 46/2016, através da Portaria nº 919 do MEC, de 18/08/2016 publicada no D.O.U nº 160 de 19/08/2016, página 15.

Títulos atribuídos:
Doutor em Geografia.

 


Requisitos para obtenção dos títulos de Mestre e Doutor

Doutorado

 

 

Admissão e Matrícula

Doutorado

A inscrição e a seleção de candidatos obedecerão ao calendário fixado pela PUC-RIO. Além dos requisitos gerais regulamentares, o Departamento de Geografia e Meio Ambiente exige do candidato:

Provas escritas e Projeto de Tese – conforme Edital

 


Grade curricular

Disciplinas

Disciplinas Obrigatórias:

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2001 Paisagem, Espaço e Sustentabilidades 4
GEO3001 Seminário de Tese I 4
GEO3002 Seminário de Tese II 4
GEO3003 Seminário de Tese III 4
GEO3004 Redação Final de Tese I 2
GEO3005 Redação Final de Tese II 3
GEO3006 Estágio Docência 1

Disciplinas Eletivas da Linha Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2101 Ética Ambiental 4
GEO2102 História Ambiental 4
GEO2103 Populações Tradicionais e Manejo de Ecossistemas 4
GEO2104 Ecologia da Paisagem 4
GEO2105 Biogeografia e Transformação da Paisagem 4
GEO2106 Evolução da Paisagem Geomorfológica 4
GEO2301 Sensoriamento Remoto e Estudo da Paisagem 4
GEO2302 Sistema de Informações Geográficas Aplicado à Análise Ambiental 4
GEO2303 Métodos Quantitativos Aplicados à Análise Ambiental 4
GEO2503 Dimensões da Biodiversidade 4
GEO2504 Construção Social dos Riscos Ambientais 4
GEO2505 Tópicos Especiais em Geografia e Sustentabilidades 4
GEO2511 Ciência da Sustentabilidade 4

Disciplinas Eletivas da Linha Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades

Código Nome da Disciplina Créditos
GEO2201 Espaço, Território, Região 4
GEO2002 Teoria e Epistemologia da Geografia 4
GEO2202 Espaço Produtivo e Sustentabilidades 4
GEO2203 Urbanização e Política Ambiental 4
GEO2204 Dinâmica do Espaço Rural Contemporâneo 4
GEO2205 Representações no Espaço Urbano 4
GEO2206 Desenvolvimento e Transformações Territoriais  
GEO2207 Redução das Desigualdades Sociais e Sustentabilidades 4
GEO2208 Planejamento e Gestão do Território 4
GEO2502 Populações Tradicionais e Transformação da Paisagem 4
GEO2505 Tópicos Especiais em Geografia e Sustentabilidades 4
GEO2506 Métodos e Técnicas em Pesquisa Socioecológica 4
GEO2507 Desenvolvimento, Pobreza e Conservação da Natureza 4
GEO2509 Espaço, Cotidiano e Teorias da Ação 4
GEO2510 Territórios, Sustentabilidades e Arquiteturas Políticas no Espaço 4
GEO2512 Espaço e Trabalho 4
GEO2514 Geografia e Saúde 4
GEO2513 Geografia e Gênero 4

 


Corpo docente

Coordenador de pós-graduação: Prof. Alvaro Henrique de Souza Ferreira
Coordenadora Adjunta: Profa. Rejane Cristina de Araújo Rodrigues

Docentes : Titulação e Linhas de pesquisa

Agnieska Ewa Latawiec
Doutora, University of  East Anglia, Inglaterra
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Sócioecológicos
Currículo Lattes

Alexandro Solórzano
Doutor, UNB, Brasil
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Sócioecológicos
Currículo Lattes

Alvaro Henrique de Souza Ferreira
Doutor, USP, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades
Currículo Lattes

Augusto César Pinheiro da Silva
Doutor, UFRJ, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; Educação Geográfica e Cidadania
Currículo Lattes

Bernardo Baeta Neves Strassburg
Doutor, University of East Anglia - UEA, Inglaterra
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes

Glaucio José Marafon
Doutor, UFRJ, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; Educação Geográfica e Cidadania
Currículo Lattes

João Rua
Doutor, USP, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; Educação Geográfica e Cidadania
Currículo Lattes

José Borzacchiello da Silva
Doutor, USP, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; Educação Geográfica e Cidadania
Currículo Lattes

Luiz Felipe Guanaes Rego
Doutor, U. FREIBURG, Alemanha
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes

Marcelo Motta de Freitas
DoutorUFRJ, Brasil
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes

Rejane Cristina de Araújo Rodrigues
Doutora, UFRJ, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades; Educação Geográfica e Cidadania
Currículo Lattes

Rodrigo Penna Firme Pedrosa
Doutor, Indiana University - IU, Estados Unidos
Mestrado e Doutorado:  Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes

Rogério Ribeiro de Oliveira
Doutor, UFRJ, Brasil
Mestrado e DoutoradoTransformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes

Sandra Lencioni
Doutora , USP, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades
Currículo Lattes

Sergio Cadena de Vasconcelos
Doutor, UFF, Brasil
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Sócioecológicos
Currículo Lattes


Docentes Colaboradores:

Ana Brasil Machado
Doutora, UFRJ, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades.
Currículo Lattes

Regina Célia de Mattos
Doutora, UFF, Brasil
Mestrado e Doutorado: Espaço, Cotidiano e Sustentabilidades.
Currículo Lattes

Rejan Rodrigues Guedes-Bruni
Doutora, USP, Brasil
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes

Nelson Ferreira Fernandes
Doutor, UCB, EUA
Mestrado e Doutorado: Transformação da Paisagem e Sistemas Socioecológicos
Currículo Lattes