Para a eternidade
Ciência e tecnologias 3D produzidas na PUC-Rio, e em instituições parceiras como o INT e o Museu Nacional, são perpetuadas em depósito no Ártico que salvaguarda conhecimento humano contra incertezas do tempo e ameaças físicas e digitais
Assessora de Comunicação Institucional da PUC-Rio

Jorge Lopes e Heron Werner, coordenadores do Biodesign Lab PUC-Rio, representaram o Brasil no Arctic World Archive - Foto: divulgação
Softwares, fotos, filmes, projetos, livros, ultrassonografias, entre outros materiais relacionados a pesquisas desenvolvidas em escaneamento 3D, impressão 3D, realidade virtual e realidade aumentada — na PUC-Rio e em instituições parceiras nos últimos 30 anos — estão protegidos, para sempre, no Arquivo Mundial do Ártico (Arctic World Archive - AWA). O acervo, que hoje reside no permafrost, abrange aplicações que vão da preservação de patrimônio histórico às mais avançadas tecnologias para a área médica.
Responsáveis pelos trabalhos, os coordenadores do Biodesign Lab da Universidade — professor Jorge Lopes, do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio e do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), e Dr. Heron Werner — estiveram em Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard, Noruega, para a cerimônia de depósito formal entre os dias 25 e 27 de fevereiro de 2026.
A escolha do local não foi casual. Situado no Oceano Ártico, entre a Noruega continental e o Polo Norte, o arquipélago de Svalbard oferece condições geográficas e tecnológicas únicas para a conservação. Junto aos brasileiros, pesquisadores da Europa, África, Ásia e Américas depositaram trabalhos e acervos de diversas naturezas.
A base está instalada em uma antiga mina de carvão subterrânea, onde a temperatura permanentemente negativa favorece a preservação orgânica e digital. Os materiais estão protegidos por uma estrutura de cofre blindada em aço, posicionada em profundidade suficiente para resistir até mesmo a explosões nucleares. O AWA funciona como uma verdadeira "caixa-forte" do legado intelectual da humanidade.
— É claro que torcemos para que nenhuma catástrofe global aconteça, mas é uma honra para nós e para nossas instituições ter décadas de trabalho reconhecidas a ponto de serem escolhidas para preservação, segundo dizem, pelos próximos mil anos, garantindo que as futuras gerações possam acessar o conhecimento independentemente da evolução das tecnologias de leitura digital — assinala Lopes, que é também Cientista do Nosso Estado da Faperj.

Lopes: “É uma honra para nós e para nossas instituições ter décadas de trabalho reconhecidas a ponto de serem escolhidas para preservação” - Foto: divulgação
O convite para integrar o arquivo da "eternidade" partiu da própria Fundação AWA e da empresa Piql, responsável pelo armazenamento em película digital indestrutível, em colaboração com o Svalbard Global Seed Vault e a UNESCO.
O material protegido revela uma trajetória de inovações que transformaram o modo como se interage com dados científicos complexos. A seleção dos trabalhos levados pelo Biodesign Lab da PUC-Rio refletiu a diversidade de caminhos trilhados, com avanços significativos no planejamento cirúrgico e diagnóstico fetal, em egiptologia e paleontologia — através da reconstituição de artefatos e fósseis com precisão milimétrica — ou na preservação do patrimônio nacional: segundo Lopes, a digitalização 3D de parte considerável do acervo do Museu Nacional se tornou vital após o incêndio que o atingiu em 2018. Os dados, que incluem fotos, filmes e modelos tridimensionais, foram convertidos para um filme de alta resistência.
O futuro da humanidade está cada vez mais difícil de prever. Resta a certeza da preservação da ciência e da cultura para as próximas gerações.
Com estudo sobre gêmeos craniópagos, Biodesign Lab figura pela 21ª vez na capa do journal “Ultrasound in Obstetrics & Gynecology”, da Isuog

Pesquisa desenvolvida no Biodesign Lab foi capa do “Ultrasound in Obstetrics & Gynecology”pela 21ª vez - Isuog
Trabalhos do Biodesign Lab foram capa, pela 21ª vez, da mais importante revista na área da ginecologia e obstetrícia do mundo, o journal "Ultrasound in Obstetrics & Gynecology", da Isuog. Agora, o destaque foi para o artigo "First-trimester three-dimensional ultrasound for craniopagus twin anatomy", que também repousa no ártico e detalha o uso pioneiro da ultrassonografia tridimensional no primeiro trimestre para a análise de gêmeos craniópagos — condição raríssima que ocorre em aproximadamente um a cada 2,5 milhões de nascimentos.
O artigo apresenta o caso de uma primigesta, de 21 anos, diagnosticada na 13ª semana de gestação. A utilização de uma sonda transvaginal volumétrica permitiu a visualização clara da fusão cranial parietal e das estruturas encefálicas. A inovação reside na capacidade de, ainda no início da gravidez, identificar a separação do tecido cerebral através da observação da dura-máter, o que é fundamental para determinar a viabilidade de uma futura separação cirúrgica.
O uso de softwares como o 3DSlicer e o modo de imagem ultrassonográfica tomográfica (TUI) permitiu a criação de reconstruções volumétricas em 3D, oferecendo uma compreensão espacial que a ultrassonografia convencional em duas dimensões não alcançaria. As imagens detalhadas permitiram que a equipe de neurocirurgia avaliasse a viabilidade da separação, o que foi determinante para a decisão dos pais de prosseguirem com a gestação.
O estudo comprovou que a anatomia cerebral observada na 13ª semana permaneceu consistente até o período neonatal, validando a eficácia do diagnóstico precoce. Embora um dos gêmeos tenha apresentado malformação cardíaca grave e não tenha sobrevivido após a separação cirúrgica (realizada aos 52 dias de vida), ele doou tecidos essenciais para o irmão sobrevivente, que apresenta desenvolvimento cognitivo e motor normal aos 12 meses de idade.
"Realidade Expandida: novas mídias e IA" consolida esforço de pesquisa interinstitucional
Publicado no final de 2025, com o financiamento da Faperj, o livro "Realidade Expandida: novas mídias e IA" traz uma coletânea interdisciplinar que investiga o uso de tecnologias 3D e IA em contextos variados como: Egito, Amazônia e Medicina, promovendo uma fusão inédita entre ciência, arte e cultura.
A obra reflete a colaboração de longa data entre diferentes núcleos de excelência, como o Biodesign Lab, da PUC-Rio, o Laboratório de Processamento de Imagem Digital (LAPID), do Museu Nacional da UFRJ, o Laboratório de Modelos 3D, do INT, e o Laboratório VISGRAF, do IMPA. Essa rede de pesquisadores e colaboradores acadêmicos contribuiu com relatos de experimentos técnicos e reflexões teóricas sobre o estado da arte das tecnologias 3D, evidenciando como a realidade expandida pode ser aplicada de forma transformadora em campos distintos.
De acordo com o professor Jorge Lopes, coordenador da publicação, o livro consolida um abrangente esforço de pesquisa científica iniciado em 2021, a saber, o projeto intitulado “Centro Pi / Visgraf : um lócus de experimentação para realidade expandida em espaços midiáticos compartilhados". A obra sistematiza discussões amadurecidas durante o período da pandemia de COVID-19, quando a necessidade de novas formas de comunicação virtual impulsionou a exploração de tecnologias de visualização emergentes.
Segundo o pesquisador, a gênese da iniciativa remete à criação do Centro de Matemática Aplicada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), o Centro Pi, onde Lopes, em colaboração com o pesquisador Luiz Velho, do laboratório VISGRAF, uniu competências em Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA). Essa base tecnológica permitiu o desenvolvimento de projetos multidisciplinares que integram designers, matemáticos, arqueólogos e historiadores, com o intuito de expandir as fronteiras da visualização científica e cultural.
— Um exemplo central desse esforço é o Projeto V-Horus, desenvolvido em parceria com o egiptólogo do Museu Nacional, Dr. Antônio Brancaglion Junior, que buscou criar experiências digitais interativas a partir do acervo egípcio sediado no Rio de Janeiro — observa Lopes.
Ao longo de suas páginas, a publicação destaca resultados práticos em áreas fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico regional. No campo do patrimônio histórico, além do trabalho com o acervo egípcio, a obra aborda projetos como “The Tempest”, desenvolvido pelo VISGRAF. Já no âmbito da saúde, são apresentadas aplicações pioneiras de realidade virtual na medicina fetal, fruto das pesquisas realizadas no Biodesign da PUC-Rio e amplamente divulgadas em conferências científicas internacionais.
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