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O legado inaciano
PUC-Rio celebra dia do santo fundador da Companhia de Jesus exaltando sua pedagogia, experiências e a liderança secular do corpo apostólico jesuítico no mundo


Data de publicação: 02/08/2024
Assessoria de Comunicação da Reitoria
Texto: Renata Ratton

No dia 31 de julho, a PUC-Rio celebrou o dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companha de Jesus, a ordem religiosa dos sacerdotes jesuítas que presidem a Universidade desde a sua origem, em 1940.

–  É interessante que, no início da Companhia de Jesus, criada em 1540, na Universidade de Paris, as metas dos religiosos eram ajudar as almas a pregar, administrar os sacramentos, mas não o ensino. Entretanto, dez anos depois, a metade do que faziam era ensinar. Acontece que muitos jovens queriam entrar na companhia, mas não tinham a formação dos primeiros mestres, lembrando que o mestrado era muito mais raro do que é hoje, mais até do que um pós-doutorado. Os mestres entenderam que era preciso criar escolas para aquelas centenas de jovens – comenta Pe. Paul Schweitzer, S.J, Emérito do Departamento de Matemática.

O Reitor da PUC-Rio junto ao Pe. Paul Schweitzer no Mosteiro de Itaici, durante encontro dos jesuítas do Brasil - Foto: arquivo pessoalO Reitor da PUC-Rio junto ao Pe. Paul Schweitzer no Mosteiro de Itaici, durante encontro dos jesuítas do Brasil - Foto: arquivo pessoal

Assim, há quase 500 anos, os jesuítas se espalham por todos os continentes, assumindo importantes papeis evangelizadores e se afirmando como exímios educadores. O legado de Santo Inácio de Loyola se refletiu na criação de inúmeros centros de espiritualidade, paróquias, obras sociais e, claro, instituições de ensino e pesquisa.

–  A PUC-Rio faz parte da rede inaciana de educação e, mais do que isso, ela absorve, na sua história e na sua tradição de ensino, pesquisa e extensão, as práticas e intuições pedagógicas da Companhia de Jesus. A própria estrutura da Universidade espelha a busca pela excelência, própria das instituições de ensino levadas pelos jesuítas; isso implica a busca constante por todo tipo de aprofundamento científico e humanista, sem limitações nas fronteiras dos saberes. Então, é essa universalidade que nasce de uma experiência espiritual que se faz pedagogia, reconhecida globalmente. O método de ensino que herdamos é fruto das experiências interiores e interculturais, uma maneira de ver novas todas as coisas, que tem como matrizes os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola – assinala o Reitor da PUC-Rio, Pe. Anderson Antonio Pedroso, S.J.

Frontispício da principal igreja de Santo Inácio em Roma - Foto: Pe. Thadeu Silva Souza, S.J.Frontispício da principal igreja de Santo Inácio em Roma -
Foto: Pe. Thadeu Silva Souza, S.J.

Santo Inácio é também padroeiro dos retiros espirituais. Nos anos de 1522 e 1523, escreveu os Exercícios Espirituais, inspirado pela experiência de encontro com Deus. Os Exercícios se tornariam, mais tarde, um reconhecido método de evangelização e de práticas de meditação para o diálogo no Espírito e a tomada de decisões.

– Os jesuítas baseiam tudo, inclusive a sua própria formação, na categoria da experiência, o que é fundamental. A experiência é esse tempo, lugar, contexto em que se permite a convergência de saberes e se proporciona visão e impulso para “voar mais alto”. É próprio das instituições conduzidas pela Companhia de Jesus oferecer essa categoria da experiência como base de todo o conhecimento. O campus da PUC é um pouco isso. Seu design socioambiental nasceu dessa concepção. De fato, não se permitiu a construção de uma avenida que cortaria o campus, a fim de se preservar esse ambiente protegido e agradável para se viver a experiência da Universidade – sublinha o Reitor.

É notória, ainda, a liderança secular e de sucesso, empreendida pelos jesuítas, abordada, em 2003, no livro do ex-noviço Chris Lowney: Heroic Leadership: Best Practices from a 450-Year-Old Company That Changed the World (Liderança Heroica: Melhores práticas de 450 anos da Companhia que mudou o mundo). De acordo com Pe. Paul, uma liderança que se distingue por quatro valores originados nos Exercícios Espirituais:

– O primeiro é o autoconhecimento. O líder deve conhecer bem a si mesmo; suas forças e fraquezas, valores, visão de mundo. Em segundo lugar, está o heroísmo: não ficar simplesmente caminhando sem esforço, mas pensar grande. Houve um irmão jesuíta que, no final do século XVII, saiu de Roma para caminhar até a China, pela terra, no caminho da seda e dos mercadores. Ele não conseguiu chegar à China, morreu no caminho depois de uns dois ou três anos, mas foi um exemplo de heroísmo. O terceiro é a criatividade ou a iniciativa. Não é simplesmente aceitar tudo como está, mas criar coisas novas, estar seguro nas mudanças. E o quarto é o amor, é o respeito à dignidade humana de todos os subordinados – enumera o sacerdote.

Além dos Exercícios Espirituais, uma das marcas de Santo Inácio é ter sido um peregrino, caminhante, geográfica e existencialmente; na foto, os calçados gastos pela peregrinação - Foto: arquivo pessoalAlém dos Exercícios Espirituais, uma das marcas de Santo Inácio é ter sido um peregrino, caminhante, geográfica e existencialmente; na foto, os calçados gastos pela peregrinação - Foto: arquivo pessoal

Padre Anderson também ressalta o modo de gestão da Companhia de Jesus, no qual sempre é dada muita autonomia para cada um dos entes, mas com profunda comunhão entre todas as partes:

– Os jesuítas falam de ser um corpo, um corpo apostólico. E isso se reflete na pedagogia inaciana, na maneira de trabalharem o ensino-aprendizagem, no modo de se organizarem e, sobretudo, no modo de governança. Existe uma tradição, uma autonomia que se traduz em uma expressão que eu uso, e gosto muito de usar: uma autonomia orquestrada, onde o todo é manifestado em cada parte e cada parte só é compreendida, de maneira saudável, através do todo. A ideia de que é possível caminhar como um corpo em que mesmo os órgãos menores são importantíssimos, mas sempre em comunhão profunda com o todo – observa.

A PUC-Rio é uma das 177 instituições de ensino superior que compõem a International Association of Jesuits Universities, IAJU, lembra Pe. Paulo Veríssimo Filho, S.J., coordenador da Pastoral Universitária e o mais jovem jesuíta do campus. 

– Todas essas instituições compartilham gênese, inspiração e identidade, e dedicam-se a promover experiências educativas de excelência, que ressoam pessoal e afetivamente em todos os envolvidos, para além de seus currículos e titulações. Como nas palavras de um antigo Superior Geral dos jesuítas, Adolfo Nicolás, S.J.: “não se trata apenas de formar os melhores do mundo, senão os melhores para o mundo”.

Pe. Paulo Veríssimo em frente à Pastoral Universitária - Foto: arquivo pessoalPe. Paulo Veríssimo em frente à Pastoral Universitária - Foto: arquivo pessoal

A Pastoral Universitária é parte constitutiva da identidade e da missão da PUC-Rio que, além de comunitária, é confessional. Na Igreja Católica, a pastoral faz referência ao zelo do pastor por cada ovelha de seu rebanho, o zelo pastoral.

–  Inspirada por Santo Inácio de Loyola, a Pastoral existe, primeiramente, para ajudar a integrar fé e vida, além de estabelecer pontes com pessoas e grupos que queiram promover os mesmos valores que dignificam a vida humana. Seu sentido é o serviço às pessoas, para que vivam bem seu tempo na Universidade e saibam que, desde sua experiência de fé, existe uma comunidade disposta a acolher e ajudar a todos – afirma Pe. Paulo.

 

Assista o vídeo

No vídeo, mensagem do provincial dos Jesuítas do Brasil, Pe. Mieczyslaw Smyda, SJ.

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