Futuros desejáveis
Extensão da PUC-Rio transforma saber em construção e crescimento coletivo
Assessora de Comunicação Institucional da PUC-Rio
A vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica, Jackeline Farbiarz, na abertura da série Diálogos - Foto: Equipe VREEP/PUC-Rio
Pilar central do Planejamento Estratégico da PUC-Rio, indissociável das atividades de ensino e pesquisa, a extensão se estabelece como um ecossistema de ações fundamentadas em diretrizes pedagógicas, éticas e transformadoras, que reafirmam a identidade institucional.
O conceito de "Universidade em saída", inspirado no papa Francisco, define o eixo condutor da extensão, em uma proposta que entende a instituição como um organismo que transcende os limites geográficos e acadêmicos de seus campi para se colocar efetivamente a serviço da sociedade.
Segundo a vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica, professora Jackeline Farbiarz, trata-se de um movimento que não se resume à transferência de conhecimento, mas visa à construção dialógica, que reconhece as demandas sociais como parte integrante da formação, permitindo que a Universidade se transforme ao mesmo tempo em que promove a transformação em seu entorno: “Uma formação que não termina com o diploma — que começa, de verdade, quando o estudante encontra o mundo”, pontua.
Fernanda Pina, da equipe da VREEP, entrega o Marco Referencial da Universidade para professores presentes ao encontro - Foto: Matheus Santos, Comunicar/PUC-Rio
A missão da Vice-reitoria de Extensão e Estratégia Pedagógica (VREEP) reflete esse compromisso com a excelência acadêmica e a responsabilidade social. Sua estrutura administrativa foi desenhada para articular projetos que integrem as diversas unidades acadêmicas em torno de um objetivo comum: a produção de conhecimento que traga resultados positivos para a sociedade e a comunidade universitária no tocante à qualidade de vida e ao desenvolvimento humano.
— A extensão é a ponte que conecta o saber acadêmico às demandas concretas dos primeiro, segundo e terceiro setores, em um diálogo horizontal. Para operacionalizar essa estratégia, estruturamos nossa atuação em quatro dimensões fundamentais: o "Campus Inovador Educativo", que foca na modernização dos espaços de aprendizagem e na adoção de metodologias ativas que coloquem o estudante como protagonista de sua formação; o "Laboratório Vivo de Inclusão, Cuidado e Responsabilidade Social", onde as ações extensionistas são vivenciadas de forma prática, transformando a universidade em um campo de experimentação social voltado para o bem comum e para o atendimento de populações em situação de vulnerabilidade; o "Campus Digital Estendido", que busca utilizar o potencial das novas tecnologias para ampliar o alcance das ações da PUC-Rio, permitindo que o conhecimento produzido rompa barreiras físicas e chegue a públicos diversos de maneira democrática e acessível; e as "Novas Gerações de Líderes" que se concentra na formação de profissionais que possuam não apenas competência técnica, mas também uma consciência ética e cidadã, capacitados para multiplicar esperança e liderar processos de mudança em suas áreas de atuação — esclarece a vice-reitora.
Conhecimento compartilhado no game das cartas - Foto: Equipe VREEP/PUC-Rio
Para tanto, a estratégia pedagógica adotada, denominada Prática Exploratória (PE), busca superar a fragmentação do saber incentivando práticas que conectem a teoria desenvolvida em sala de aula e nos laboratórios com os desafios concretos enfrentados por diferentes setores da sociedade.
Sob a coordenação da professora Inés Kayon de Miller, do Departamento de Letras e Artes da Cena, a Prática Exploratória se apresenta como um instrumento para a melhoria da vida educativa, com uma abordagem que reconhece em cada integrante da comunidade acadêmica um aprendiz permanente e um cocriador do saber. A ideia é possibilitar um ambiente de aprendizado onde a escuta e a troca horizontal prevaleçam sobre hierarquias rígidas, criando um campo fértil para a inovação pedagógica e o crescimento:
— Convidamos alunos, professores e pessoas interessadas a se envolverem coletivamente para o entendimento de suas ‘questões instigantes locais’, integrando a pesquisa a suas atividades acadêmicas e profissionais regulares. Proponho que aproveitemos a extensão para aprofundarmos entendimentos a respeito do que são as nossas aulas, as nossas salas de aula e a nossa vida universitária em geral — informa a professora. Para ela, o trabalho extensionista carrega não somente os saberes disciplinares, mas, principalmente, as crenças sociais, pedagógicas e as emoções em contextos pedagógicos: “a possibilidade ou não de compartilhar emoções nestes contextos, a discussão sobre quem tem direito de expressar seus medos, (in)seguranças, tensões, frustrações ou nossas alegrias”.
A professora Inés Miller fala sobre a Prática Exploratória na série “Diálogos”- Foto: Equipe VREEP/PUC-Rio
Inés Miller foi uma das docentes que participaram, ao longo do mês de fevereiro, de ciclos formativos (que também envolveram o corpo técnico-administrativo da Universidade) para entender e debater a extensão. A série “Diálogos sobre Extensão e Inovação em Estratégia Pedagógica”, promovida pela Vice-reitoria de Extensão e Estratégia Pedagógica (VREEP), trouxe conceitos e vivências sobre o tema, como o exercício gamificado sobre os princípios da extensão.
— Por meio de um jogo de cartas cooperativo, envolvendo os funcionários, promovemos a compreensão da extensão universitária dando concretude a conteúdos percebidos como complexos ou densos. Partindo de um documento orientador, a organização das cartas em conjuntos e a interação entre os participantes permitiram a articulação entre teoria e prática de modo significativo. Ao final, demonstraram compreensão dos elementos estudados, explicando o significado das siglas, suas relações com a prática extensionista, e reconhecendo a articulação entre conhecimento acadêmico e saberes comunitários — avalia o professor Guilherme Xavier, coordenador de Ludicidade e Criatividade da VREEP.
Para a secretária de pós-graduação da Engenharia Civil, Luana Martins, participar da dinâmica foi muito importante, pois pôde entender, de forma objetiva, o que é uma atividade extensionista.
— Antes, eu tinha uma visão mais “engessada”, achava que a extensão precisava estar só em formatos tradicionais ou dentro da sala de aula; mas o seminário me mostrou que não, que não precisa ser algo “quadrado”. Isso até me motivou a querer contribuir mais e participar de ações — declara. E acrescenta:
— Também passei a perceber que ser extensionista está presente em outras formas de atuação, inclusive nas funções administrativas, como no meu caso. O contato direto com os alunos, saber acolher as necessidades deles e ter esse olhar mais atento ao outro também é uma forma de exercer a extensão.
Gabriel Lisboa, analista na graduação do IAG, compartilha dessa percepção, reiterando que a extensão fortalece o compromisso social da Universidade para além do ambiente acadêmico.
— A extensão é uma forma de acesso ao conhecimento produzido na PUC-Rio, além de possibilitar a construção conjunta de soluções para desafios reais — reforça.
O impacto social da extensão na PUC-Rio é evidenciado pela diversidade de caminhos e pela natureza transformadora das iniciativas. Docentes de diferentes cursos, como Engenharia Química e de Materiais, Jornalismo e Estudos de Mídia e Serviço Social vivenciam experiências em que a sala de aula se expandiu para comunidades, empresas e organizações governamentais, demonstrando que a extensão não é uma atividade periférica, mas um componente curricular que enriquece a pesquisa e dá sentido prático-identitário ao ensino.
O encontro com funcionários técnico-administrativos trouxe o entendimento da extensão no dia a dia da Universidade - Foto: Equipe VREEP/PUC-Rio
Entusiasta da prática extensionista, a professora Isabel Ferreira, do Departamento de Engenharia Química e de Materiais, entende a extensão como uma forma de conectar o conhecimento produzido na universidade com as demandas reais da sociedade.
— A extensão não deve ser uma atividade periférica, mas parte essencial da formação acadêmica e da responsabilidade social da Universidade. Acredito que o conhecimento científico precisa dialogar com os desafios concretos do território e da vida como ela se apresenta no presente, contribuindo para soluções sustentáveis e socialmente relevantes. Dessa forma, a extensão contribui para formar profissionais mais conscientes e comprometidos com o impacto de suas decisões, ao mesmo tempo em que amplia o alcance social da pesquisa acadêmica e promove inovação e transformação social — analisa.
A relação com parceiros externos é outro ponto crucial do projeto extensionista, em colaborações com o setor público, a iniciativa privada e organizações da sociedade civil. O objetivo é consolidar a universidade como um parceiro estratégico para o desenvolvimento do Rio de Janeiro e do país.
A professora Isabel Ferreira, do Departamento de Engenharia Química e Materiais, fala sobre sua experiência com a prática extensionista em projeto com a ONG TETO BRASIL - Foto: Equipe VREEP/PUC-Rio
No âmbito do Ciclo Básico das Engenharias, Isabel Ferreira coordena projeto junto à ONG TETO Brasil, formada por jovens voluntários e voluntárias que implementam iniciativas de moradia e habitat em favelas precárias ao lado dos moradores. Um dos alunos participantes, Davi Ferreira dos Santos, conta que foi marcante a experiência:
— Eu tive a oportunidade de ajudar a construir, do zero, a casa do Sávio e da Thainá. Sendo estudante da Engenharia Civil, isso foi ainda mais especial, porque consegui viver, na prática, algo que estudo na teoria. Durante a construção, aprendi muito sobre trabalho em equipe, organização e principalmente sobre o impacto que uma obra pode ter na vida de alguém. No final, quando entregamos a casa pronta, foi um momento muito gratificante, porque percebemos que não estávamos só construindo uma estrutura, mas ajudando a realizar o sonho de uma família. Foi uma experiência que me fez valorizar ainda mais a profissão e entender melhor o poder que a engenharia tem de transformar vidas.
Jackeline Farbiarz lembra que o processo de extensão é também um espaço de reflexão constante sobre a identidade da própria instituição: “ao se questionar o que deseja ser, a PUC-Rio reafirma sua vocação comunitária e sua tradição de excelência”, pontua. De acordo com Farbiarz, a integração da extensão ao planejamento estratégico assegura que as ações não sejam isoladas, mas façam parte de uma política institucional robusta, capaz de se adaptar às mudanças contemporâneas sem perder seus valores fundamentais:
— A "Universidade em saída" apresenta-se como um modelo educativo dinâmico, onde a formação do estudante é potencializada pelo encontro com a realidade social. Ao promover essa abertura para o mundo, a PUC-Rio garante que sua produção acadêmica seja relevante, ética e profundamente humana, cumprindo sua missão de educar para a cidadania e promover futuros desejáveis.
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