Dois séculos em um selo
História bicentenária das relações Brasil-Santa Sé é impressa em identidade visual desenvolvida pela PUC-Rio
Assessora de Comunicação Institucional da PUC-Rio
A identidade visual, que unifica os eventos oficiais em ambos os países, foi o centro das atenções no seminário "Brasil-Santa Sé: 200 anos de relações diplomáticas", realizado na Pontifícia Universidade Gregoriana. Ao lado de Pe. Anderson Pedroso, solenidade de abertura, estavam o embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Everton Vieira Vargas, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Jaime Spengler e o reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana – UniGre, Pe. Mark A. Lewis, SJ.

Reitor Pe. Anderson Pedroso, SJ, ao lado do Cardeal Jaime Spengler - Foto: divulgação
A iniciativa do selo coloca a produção de conhecimento da Universidade a serviço da diplomacia internacional e da fé. Uma história que começou a ser delineada ainda em novembro de 2024, quando o reitor foi provocado pelo embaixador Vargas a colaborar na criação de uma marca que traduzisse a densidade do vínculo bissecular.
O processo foi conduzido pela Coordenação de Gestão e Experiência de Marca (CGEM) da PUC-Rio, com a supervisão da professora Manuela Quaresma e a execução da designer Evelyn Grumach: um projeto de síntese histórica e rigor acadêmico que não se limitou à busca estética, mas envolveu interlocução direta com o corpo diplomático, representado pelas advogadas Fernanda Graeff Machry e Maria Helena Japiassu M. de Macedo. Segundo as designers do CGEM, o objetivo foi assegurar que a marca refletisse a relevância espiritual e política da relação entre os dois Estados.

A designer Evelyn Grumach foi responsável pela execução do selo que marca o bicentenário - Foto: Rogério Reis
— Em se tratando de uma celebração entre dois estados, Brasil e Vaticano/Santa Sé, as características físicas de ambos os locais se destacaram como ponto de partida: a colunata de Bernini na Piazza San Pietro, onde se localiza o Vaticano, e as arcadas de Oscar Niemeyer no Palácio do Itamaraty, em Brasília, representante da instituição brasileira. Suas características arquitetônicas, seus pilares e verticalidade, repetição e simetria se fizeram presentes ao buscar um sinal gráfico representativo deste encontro: a soma e o cruzamento dos eixos verticais e horizontais demonstram o encontro das instituições através de um sinal de positividade — explica Evelyn Grumach.
— O processo de concepção do selo foi estruturado a partir de uma investigação simbólica e arquitetônica de ícones do Brasil e do Vaticano. Ambos os espaços foram analisados não como representações literais, mas como sistemas formais e simbólicos. Das colunas da Praça de São Pedro, emergem as ideias de acolhimento, centralidade e irradiação; dos arcos e da perspectiva do Palácio Itamaraty, derivam as noções de sequência, profundidade, racionalidade e modernidade — esclareceu.

Pe. Anderson Pedroso na mesa de abertura do seminário em celebração aos 200 anos de relação entre o Brasil e a Santa Sé - Foto: divulgação
— O selo resultante traduz essas referências em uma composição geométrica sintética, com uma forma final que sugere múltiplas leituras simbólicas sem impor uma interpretação única, mantendo a abertura semântica necessária a um símbolo diplomático. A escolha cromática reforçou essa impostação com cores sóbrias, institucionais e atemporais, pensadas para garantir legibilidade, elegância e adaptabilidade em contextos cerimoniais, institucionais e culturais diversos, com variações controladas de uso.
A participação do reitor nas celebrações romanas inclui missa comemorativa na Basílica de Santa Maria Maggiore, no dia 23 de janeiro, que celebra um marco histórico que remonta a 1826.
— O Brasil e a Santa Sé compartilham, ao longo de dois séculos, uma trajetória marcada pelo diálogo, pela cooperação e pela busca de valores comuns, como a promoção da dignidade humana, da paz e do bem comum. Participar dessa celebração em Roma é reafirmar a importância da diplomacia como instrumento de aproximação entre povos, culturas e tradições — afirmou padre Anderson.
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