Corredor ecológico em expansão
PUC-Rio e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima inauguram Bosque da Gávea, que vai coibir ilhas de calor com o plantio de dezenas de mudas nativas da Mata Atlântica
Assessora de Comunicação Institucional da PUC-Rio
Na inauguração, a partir da esquerda: o vice-reitor de Infraestrutura e Serviços da PUC-Rio, Luiz Fernando Martha, a secretária de Meio Ambiente e Clima do município, Tainá de Paula, a integrante da Associação de Moradores do Leblon Martha Nolding, e o Coordenador de Gestão Ambiental da Universidade, Marcelo Motta - Foto: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima
Em parceria com a PUC-Rio, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) inaugurou o Bosque da Gávea, situado na Praça Nossa Senhora Auxiliadora, na manhã do último dia 4 de março. A inauguração contou com a participação de representantes da prefeitura, da Universidade e de associações de moradores da Zona Sul, e marcou a implementação de nova área verde pertencente ao programa municipal “Bosques Cariocas”.
A iniciativa — que, além da Secretaria e da Universidade, envolve a aquisição de mudas pela empresa Qatar Energy e o Instituto PUC-Behring de Inteligência Artificial — viabiliza o plantio de 44 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica no local, bem como a criação de um corredor ecológico composto por outras 40 mudas, destinadas a conectar o bosque da praça ao bosque do campus da PUC-Rio. Entre as espécies introduzidas estão jerivá, jacarandá-da-bahia, copaíba, grumixama, quaresmeira, pitangueira e ingá.
O novo bosque contará com o plantio de 44 mudas - Foto: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima
— A Secretária de Meio Ambiente, Tainá de Paula, desenvolveu a política pública para a criação dos “Bosques Cariocas”, alinhada ao ordenamento territorial da prefeitura. O plantio na praça e a extensão do corredor ecológico são fomentados pela parceria da PUC- Rio com a Qatar Energy no âmbito da pesquisa “Carbono Atmosférico no Vale da Gávea”; e pelo Instituto PUC-Bhering de IA, em função da construção do Edifício Bhering na Universidade — explica o coordenador de Gestão Ambiental da Universidade, professor Marcelo Motta.
Segundo Motta, a escolha da Praça Nossa Senhora Auxiliadora para receber o adensamento florestal foi fundamentada em estudos técnicos conduzidos pela Universidade para os projetos com a Qatar e do Instituto:
— O Laboratório de Gestão Ambiental e Manejo da Paisagem (GAMP), do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, realizou pesquisa detalhada sobre as ilhas de calor no bairro da Gávea e o levantamento, com drone, das áreas abertas e sem vegetação. O levantamento identificou que a Rua Mário Ribeiro representava o ponto mais quente do Vale da Gávea, devido à escassez de cobertura vegetal, justificando a concentração de mudas nessa área específica e permitindo conectividade biológica entre manchas de vegetação — acrescenta o coordenador.
O Instituto PUC-Behring de IA vai prover 200 mudas, que serão divididas entre o corredor ecológico e o bosque da PUC-Rio. A AMAGávea vem acompanhando o planejamento dos plantios e é responsável pelo direcionamento das mudas para o bairro.
Presente à inauguração, o vice-reitor de Infraestrutura e Serviços da PUC- Rio, professor Luiz Fernando Martha, esclarece que a participação no programa reflete uma diretriz institucional de integração com o território, onde o cuidado com o entorno é parte fundamental da missão universitária.
Luiz Fernando Martha e Tainá de Paula plantam muda no Bosque da Gávea - Foto: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima
— O papel da Universidade transcende o ensino formal e engloba a participação ativa nas demandas da comunidade e no enfrentamento inevitável das questões ambientais contemporâneas. Essa atuação conjunta consolida a PUC-Rio como um polo de transformação, que aplica o conhecimento científico para gerar benefícios práticos ao espaço público — destaca o vice-reitor.
Em entrevista ao portal da Prefeitura do Rio, a secretária de Meio Ambiente e Clima afirmou que a cidade tem consolidado o debate sobre democracia climática e destacou que a prefeitura iniciou a aplicação de protocolos para situações de calor extremo. Segundo a secretária, os setores produtivos compreenderam a urgência da questão climática para a capital fluminense, o que tem permitido o avanço de políticas voltadas ao conforto térmico da população.
Equipes da secretaria, da Universidade e membros das associações de moradores reunidos para a inauguração do Bosque da Gávea - Foto: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima
Para a integrante da Associação de Moradores do Leblon, e do grupo Verde Leblon, Marta Nolding, a localização do novo bosque é estratégica por situar-se na convergência entre a Lagoa, o Jardim Botânico, a Gávea e o Leblon. Ela apontou ainda a facilitação do desenvolvimento de atividades de educação ambiental pela proximidade com instituições de ensino.
Já o presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Cláudio Barbosa, defendeu a mobilização da sociedade civil no investimento de tempo para ações de plantio, visando ao equilíbrio do ecossistema urbano.
O programa “Bosques Cariocas” tem como meta central a expansão da cobertura vegetal na cidade do Rio de Janeiro para combater o aquecimento urbano. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Clima, a colaboração técnica entre o poder público e o setor acadêmico, exempsificada pela parceria com a PUC-Rio, permite que as intervenções urbanas sejam guiadas por dados geográficos, ecológicos e climáticos, garantindo maior eficácia na mitigação das enchentes e das temperaturas elevadas em áreas críticas da cidade.
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