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PUC-Rio abre a primeira mostra da Trienal do Vaticano
Exposição "Respiração", em cartaz até 15 de novembro no Solar Grandjean de Montigny, inaugura a ART CUT'26 — Trienal de Arte das Universidades Católicas

A PUC-Rio inaugura nesta quinta-feira, dia 27 de agosto, no Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, a exposição inédita "Respiração". Ela é o ponto de partida mundial da ART CUT'26, primeira Trienal de Arte das Universidades Católicas.

Foto do Museu Universitário da PUC-Rio: Solar Grandjean de Montigny Foto do Museu Universitário da PUC-Rio, o Solar Grandjean de Montigny - Foto: Divulgação PUC-Rio

A mostra – gratuita e aberta ao público – fica em cartaz até 15 de novembro. Com o tema "Exercises in Empathy" ("Exercícios de Empatia"), a iniciativa idealizada pelo Cardeal José Tolentino Gomes, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação no Vaticano, tem curadoria geral do professor português Nuno Crespo e curadoria local dos professores Luiz Camillo Osorio, decano do Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH) da PUC-Rio e Carlos Eduardo Félix, o Cadu, diretor do Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny. Primeira instituição do mundo a abrir a programação, a PUC-Rio reafirma seu papel de interlocução entre fé, arte e cultura contemporânea.

Camillo, recém-premiado com o Jabuti Acadêmico na categoria Filosofia, e Cadu propuseram, para a exposição de abertura da Trienal, um desdobramento autêntico da noção de empatia: o ato vital de respirar, em suas dimensões simbólicas, sociais e ambientais. Em entrevista ao PUC Urgente, Cadu explicou que a respiração ultrapassa a dimensão biológica e se torna metáfora para a escuta, a convivência e a interdependência entre as pessoas, pois "ninguém respira sozinho": cada inspiração nos relaciona com o ambiente e com o outro.

Tal proposta se traduz na própria organização do espaço expositivo. O Solar Grandjean de Montigny está dividido em três módulos interligados, que correspondem a diferentes ritmos de respiração: no subsolo, o suspirar vagaroso, representado por uma obra inédita de João Modé concebida especialmente para os porões históricos do prédio; no térreo, o respirar em tempos sombrios, com trabalhos de Brígida Baltar, Antonio Manuel, Julianknxx e da dupla portuguesa Carminho e João Pimenta Gomes; e no primeiro andar, o conspirar — a urgência de respirar em conjunto para resistir —, com obras de Anna Maria Maiolino, Rafa Bqueer e Arthur Jafa.

Mais do que uma sequência de obras, o percurso foi concebido como uma experiência de desaceleração do olhar. Segundo Cadu Félix, cada sala convida o visitante a passar por diferentes estados de atenção — a contemplação, a memória, o confronto e, por fim, a possibilidade de imaginar novas formas de convivência. Cada artista oferece uma maneira distinta de "respirar o mundo", seja pela delicadeza, pela denúncia ou pela escuta. Os curadores acreditam que esse exercício de atenção extrapola os próprios ambientes do Solar.

A mostra ativa, assim, um diálogo entre gerações e geografias distintas da arte contemporânea. Estão presentes desde nomes históricos da arte brasileira, como Antonio Manuel e Anna Maria Maiolino — vencedora do Leão de Ouro na Bienal de Veneza de 2024 —, até artistas internacionais contemporâneos, como o americano Arthur Jafa e o poeta e cineasta Julianknxx, nascido em Serra Leoa e radicado em Londres. Completam o conjunto produções recentes de Rafa Bqueer, artista paraense que investiga raça, gênero e cultura popular brasileira, e uma nova obra sonora, ainda inédita, assinada pela dupla portuguesa Carminho e João Pimenta Gomes.

A exposição na PUC-Rio inaugura a jornada internacional da Trienal. Ela seguirá, entre setembro e dezembro deste ano, para universidades católicas no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos, na Itália, em Portugal e em Angola, cada uma com curadoria e recorte temático próprios.

O Reitor da PUC-Rio, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., ressalta a importância histórica, artística e sociocultural de a Universidade abrir a primeira Trienal de Arte das Universidades Católicas. Importância que se expressa na reunião de artistas de diversas origens, culturas e linguagens. Ao encontro de uma missão educativa, a PUC-Rio reafirma, assim, o papel da arte como agente de “encontro, reflexão e construção de esperança”.

Para Cadu Félix, a abertura da programação global sublinha a relevância do Solar como espaço de reflexão contemporânea. Um espaço que conecta a produção artística brasileira a um debate internacional tão relevante quanto urgente.

Ao sediar a largada de um projeto de alcance global, a PUC-Rio acentua um traço central de sua identidade: a de Universidade que coloca a produção acadêmica e cultural a serviço do diálogo entre fé, ciência e sociedade. Uma vocação recentemente também reconhecida na pesquisa filosófica de Luiz Camillo Osorio, agraciada pelo Jabuti Acadêmico.

Mais do que uma exposição, "Respiração" constitui um convite à comunidade universitária, e ao público em geral, para repensar, pela experiência da arte, os próprios ritmos da vida coletiva em nosso tempo.
Data de publicação: 27/08/2026

Texto: Coordenação Central de Comunicação Institucional
Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny Destaque ART CUT'26 Site SACRU Scientific Colloquium & Governing Board