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Rede de Apoio ao Estudante (RAE): resultados de sucesso e projetos de ampliação e pesquisa

Por Renata Ratton
Assessora de Comunicação, Vice-Reitoria Acadêmica

Publicado em 04/01/2017

Equipe As equipes dos cinco núcleos da RAE encontram-se, periodicamente, para reuniões de atualização - na fileira de trás, a partir esquerda: Maria Rita Simões (NOAP), Renata Mattos (NAIPD), Maria Amélia Sampaio (SPA), Roberta Magacho (PSICOM), Zena Eisenberg (NOAP), Leila Vilela (SOU-CTC), Ana Carolina Gomes (PSICOM), Erica Rodrigues (NOAP); sentadas: Beatriz Barreto (NOAP), Maria Luiza Teixeira (NOAP), Elisa Almeida (NOAP), Meg Mesquita (NOAP), Maria Cristina Góes (NOAP), Bebeth Estellita (NOAP), Monica Cernigoi (NOAP) - crédito: Jorge Paulo Araújo - Projeto Comunicar



A Rede de Apoio ao Estudante, RAE, que completou um ano em 2016, nasceu por iniciativa da coordenadora central de graduação da Vice-Reitoria Acadêmica, professora Daniela Vargas, e já conta com histórias de sucesso no trabalho de interação entre cinco núcleos: Núcleo de Apoio e Inclusão da Pessoa com Deficiência (NAIPD), o Núcleo de Orientação e Atendimento Psicopedagógico (NOAP), o Serviço Comunitário de Orientação Psicológica (PSICOM), o Serviço de Orientação ao Universitário do CTC (SOU-CTC) e o Serviço de Psicologia Aplicada (SPA).

A RAE tem o objetivo de unificar os serviços de apoio aos estudantes da Universidade que, até então, funcionavam de forma paralela, com pouca comunicação e esforço conjunto. Busca uma ação mais coesa em torno da qualidade da vida do universitário, em questões que tocam desde o aspecto acadêmico - dificuldades com os estudos, leitura e escrita, organização de grade - até os aspectos psicológicos - déficit de atenção, ansiedade - e as necessidades especiais.

– Como não era possível realizar a união entre esses cinco núcleos no espaço físico, isso foi feito no espaço virtual, com a criação de site, de sistema unificado para gerenciar os atendimentos e encaminhamentos de núcleo para núcleo, além da realização de reuniões periódicas para atualizar a parceria, esclarece a professora Zena Eisenberg, coordenadora do NOAP.

Para que a troca de informações fosse mais eficiente entre os diferentes núcleos envolvidos, foi criado junto ao SGU um sistema de cadastro de alunos onde é possível compartilhar as informações e os atendimentos. “De uma forma geral, questões relacionadas à psicopedagogia, a problemas com organização, leitura e escrita ou orientação profissional são tratadas no NOAP; necessidades especiais de diversos tipos são acompanhadas pelo NAIPD; o PSICOM trata de questões psicológicas mais agudas, encaminhando-as, em alguns casos, ao SPA; o SOU-CTC é parte do NOAP, mas se dedica especificamente aos alunos do Centro Técnico Científico, acrescenta Zena.

O diretor da Psicologia, professor Jose Landeira Fernandez, fala sobre a atuação do SPAO diretor da Psicologia, professor Jesus Landeira Fernandez, fala sobre a atuação do SPA

Ao atender o aluno, o profissional de cada núcleo tem acesso a seus dados e consegue visualizar por que núcleo já foi atendido, caso tenha sido, as informações relevantes para o atendimento, dados do histórico, nivelamento em português, entre outras informações relevantes.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação da Vice-Reitoria Acadêmica, o professor Jesus Landeira Fernandez, da Psicologia (pelo SPA), as professoras Zena Eisenberg, do NOAP, Leila Vilela, do SOU-CTC, Renata Mattos, do NAIPD, e as psicólogas Roberta Magacho e Ana Carolina Gomes, do PSICOM, falam sobre as conquistas da RAE no último ano e os desafios a vencer.




Quais foram as principais conquistas da rede nesse período de trabalho conjunto?

Zena Eisenberg, pelo NOAP – Em um ano, a RAE se consolidou e também foi concluído o sistema integrado, em que vários alunos já realizam agendamentos; também contamos com esquema de divulgação envolvendo e-mail marketing, folders, cartazes e anúncios no informativo PUC Urgente. Há dois trabalhos caminhando em paralelo: divulgar a rede entre os alunos e entre os professores, coordenadores e diretores, capazes de encaminhar os alunos para a RAE. Os professores também estão demandando, cada vez mais, o apoio da rede frente aos novos desafios.

Leila Vilela, pelo SOU-CTC - A RAE possibilitou grandes conquistas para nós, profissionais, uma vez que o trabalho em equipe de diferentes áreas de atuação proporcionou uma rica troca de experiências e conhecimento. As reuniões aproximaram, cada vez mais, os membros dos diferentes núcleos da rede, permitindo um melhor atendimento aos nossos alunos.

Roberta e Ana Carolina, pelo PSICOM - Em se tratando do PSICOM, destacamos que a RAE ampliou a divulgação do serviço entre os alunos.

Renata Mattos, pelo NAIPD - A criação da rede gerou uma aproximação mais efetiva entre os núcleos, que já trabalhavam, pontualmente, em conjunto, fomentando a troca de ideias entre os profissionais, a possibilidade de diálogo mais frequente para a construção de objetivos comuns e a definição de uma atuação conjunta, assim como os encaminhamentos.

Estar junto para atender os alunos da melhor forma possível é de interesse de todos nós e, para isso, foi preciso ouvir as diferenças, se posicionar com as singularidades e reconhecimento do trabalho que já vinha sendo feito e também abrir mão de sistemáticas conhecidas, como ocorreu em relação ao novo sistema de cadastramento dos atendimentos. Os núcleos já tinham suas práticas, sua sistemática, e estar juntos foi uma escolha para fortalecer o trabalho de atendimento dos alunos.

Jesus Landeira, pelo SPA - Neste ano, o Departamento de Psicologia contribuiu de forma significativa com a RAE. O Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) tem oferecido atendimento individual com psicoterapia cognitivo comportamental aos alunos encaminhados pela RAE. Trata-se de uma parceria importante, porque além da prestação de serviço aos alunos da PUC, foi possível também desenvolver um projeto de pesquisa de uma pós-doutoranda em nosso Departamento.



Poderiam citar exemplos de sucesso da parceria?

Zena – Posso citar o caso de uma pessoa que foi atendida pelo NAIPD, encaminhada para o NOAP, e lá atendida por um bom período pela equipe de Psicopedagogia e, em seguida, pela de Leitura e Escrita. Passou por vários âmbitos na rede. Acontece muito de encaminharmos dentro do próprio NOAP, pois temos três equipes diferentes.

Leila - Tivemos alguns casos em que alunos do SOU foram encaminhados para o atendimento psicopedagógico no NOAP, e observamos que estes alunos tiveram uma sensível melhora na questão organizacional e na sua autoestima, questões fundamentais para um bom desempenho acadêmico.

Para aqueles que estavam em dúvida da sua escolha de curso, o que ocorre com frequência com alunos do curso de Engenharia, encaminhamos para a Orientação Profissional, e alguns destes alunos buscaram uma nova trajetória acadêmica, com mais prazer e segurança.

O mesmo podemos falar do trabalho em conjunto com o PSICOM, que ajuda o aluno na busca de um equilíbrio emocional, fator fundamental para um desempenho acadêmico com mais tranquilidade. Já o trabalho em conjunto com o NAIPD tem sido de extrema relevância no auxílio dos alunos com necessidades especiais.

Acreditamos que o trabalho em equipe beneficia positivamente os nossos alunos, pois permite que eles sejam atendidos nos seus diferentes aspectos.

Ana Carolina e Roberta – Muito do sucesso está também em pensar em conjunto ações para lidar com casos emergenciais.

Renata - Vou citar dois exemplos diferentes. Um aluno que me procurou, no NAIPD, recomendado por uma professora que já conhecia nosso trabalho; quando o recebi, ficou claro que não se tratava de um aluno com algum tipo de deficiência e também que não precisava de nenhum recurso, havia uma situação clara de orientação em relação aos estudos e à forma de aprendizado. A professora havia sugerido o NAIPD porque conhecia esse caminho. Recebi o aluno e o encaminhei para o NOAP.

Posso citar como outro exemplo uma aluna que possui deficiência auditiva e tem sido acompanhada pelo NAIPD desde o início do curso. Em dado momento, ela me procurou relatando mudanças na sua vida pessoal que estavam comprometendo seus estudos e falou de dificuldade em uma determinada disciplina. Sugeri, então, que procurasse o PSICOM e o NOAP. Fiz o encaminhamento e ela esteve nesses núcleos. Eu e a equipe do NOAP passamos a trocar informações para melhor atendê-la e chegamos a promover um encontro conjunto com a aluna.

Landeira - Acreditamos que esta parceria melhorou a capacidade dos alunos encaminhados pela RAE para lidar com suas dificuldades de adaptação à universidade envolvendo questões comportamentais, emocionais e cognitivas, bem como estratégias de resolução de problemas e enfrentamento de situação na interação com colegas e professores. A disponibilidade da RAE para encaminhar e atender os alunos nos diferentes núcleos e a interdisciplinaridade propiciam um intercâmbio de informações muito importante para a integração dos alunos com múltiplas dificuldades ao ambiente universitário.

Existem duas formas de atendimento, ambas em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Um grupo de alunos é atendido por psicólogos, com orientação da professora Maria Amélia Penido, especializada em atendimento psicológico em TCC; já os alunos enquadrados no perfil de alta ansiedade e prejuízo no desempenho acadêmico se beneficiam de atendimento psicológico pelo grupo de profissionais supervisionado pela pós-doutoranda Fernanda Coutinho, que desenvolve um projeto de pesquisa, sob orientação da professora Helenice Charchat Fichman, atual coordenadora do SPA. Um exemplo concreto do sucesso deste trabalho este ano foi o reconhecimento de alguns alunos que estavam cursando, pela terceira vez, uma disciplina de cálculo e corriam o risco de ser jubilados. Esses alunos agradeceram diretamente o trabalho da equipe de pesquisa da nossa pós-doutoranda Fernanda Coutinho, pelo apoio psicológico.



E o que precisa ser aprimorado e quais os projetos para o próximo ano?

Zena – Acredito que se deva consolidar ainda mais a interação entre os núcleos e ampliar o apoio aos professores. Em termos de projeto, uma pós-doutoranda da psicologia está desenvolvendo uma pesquisa, no NOAP, relacionada ao tratamento de alunos com ansiedade acadêmica. É importante lembrar que tanto o NOAP como o SPA têm como proposta fomentar pesquisa e serem espaços de formação para alunos de Psicologia, Pedagogia, Letras e de outras áreas.

Ana Carolina e Roberta – A nosso ver, a ampliação das parcerias de serviços de apoio, além de pensar em conjunto ações para lidar com casos emergenciais.

Leila - Achamos que será de fundamental importância aumentar o número de profissionais em todos os núcleos da rede. Com relação a projetos, o SOU-CTC pretende começar a trabalhar com grupos com propostas orientadas. Estes encontros terão como objetivo ajudar um maior número de alunos não somente nas suas questões acadêmicas: raciocínio lógico, interpretação de texto, mas também nas questões relacionais que se apresentarem. Também temos a intenção de repetir o Minicurso de Meditação, oferecido este período, exclusivamente para os alunos do CTC.

Renata - O sistema de registro e compartilhamento de informações foi montado, está sendo experimentado e sofrendo ajustes para que sejam atendidas as demandas específicas de cada núcleo. O NAIPD, por exemplo, tem uma sistemática de troca com alunos ativa, ou seja, nós buscamos os alunos para apresentar o núcleo, confirmar as informações declaradas e definir recursos para garantir a igualdade de oportunidades. Com isso, temos especificidades no atendimento e registro que devem ser consideradas no sistema de cadastro dos atendimentos. Isso está sendo ajustado. Estou certa de que as afinações serão sempre necessárias e que as possibilidades de ampliar nossa atuação aumentarão com os núcleos operando juntos.

Landeira - A parceria SPA-RAE é muito promissora. Nosso desejo é que o projeto cresça e um número maior de alunos possa se beneficiar com os serviços oferecidos. Esse crescimento depende da contratação de um psicólogo experiente, que coordene a RAE na Psicologia e que faça o atendimento aos alunos. Este projeto permitirá um aumento significativo do número de alunos atendidos no SPA de forma individual e em grupos temáticos. Há também outras possibilidades, graças à abertura de novos cursos de especialização em nosso departamento. Destacam-se os novos cursos de Dependência Química e Avaliação Neuropsicológica, que acabam de ser aprovados. Nestes casos, poderemos oferecer assistências aos alunos que apresentem problemas de dependência química assim como problemas neuropsicológicos relacionados com dislexia ou déficit de atenção. São possibilidades para 2017.


» Para saber mais sobre a RAE e agendar um atendimento, acesse:
    http://www.puc-rio.br/sobrepuc/admin/vrac/rae/


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