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Uma nova programação

Seminário de Práticas Inovadoras no Ensino Superior, promovido pela Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos, reuniu professores em torno dos desafios e oportunidades trazidos pelas tecnologias digitais de informação e comunicação em sala de aula e fora dela

Por Renata Ratton
Assessora de Comunicação – Vice-Reitoria Acadêmica

Publicado em 19/06/2017

O Vice-Reitor para Assuntos Acadêmicos, José Ricardo Bergmann, abriu o encontro, junto à Coordenadora Central de Graduação, Daniela Vargas, destacando a importância da adesão dos docentes às tecnologias digitais de informação e comunicação - crédito: Renata Ratton - Vice-Reitoria Acadêmica

O quadro negro, uma tela. O lápis, um dispositivo. Quando a tecnologia possibilita modificar a forma de aprender e experienciar o mundo, novas maneiras de ensinar passam a fazer parte desse processo.

Os desafios do uso de tecnologias digitais de informação e comunicação no ensino presencial e a distância foram o tema das apresentações de professores de cinco áreas do conhecimento, além de coordenadores, no Seminário de Práticas Inovadoras no Ensino Superior, promovido pela Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos, por intermédio da Coordenação Central de Educação a Distância (CCEAD).

O seminário constituiu mais uma iniciativa no sentido de proporcionar aos docentes conhecer, testar e implementar as novas mídias em seus cursos, e uma oportunidade para refletir sobre as práticas pedagógicas em sala de aula. A Universidade também conta, já há algum tempo, com Ambiente de Aprendizagem Online, voltado para orientar o professor a utilizar diferentes ferramentas e a desenvolver seu próprio material, e a CCEAD oferece permanentemente recursos e equipe com esse propósito.

- Fóruns, podcasts, vídeos, entre muitas outras mídias passíveis de ser utilizadas em sala de aula e fora dela, estão mudando não apenas a dinâmica no ensino das disciplinas, mas a forma como professores e alunos interagem. As melhores práticas de universidades de todo o mundo apontam para o sucesso e a irreversibilidade do uso das tecnologias digitais de informação e comunicação na educação, já que estão totalmente integradas aos processos cotidianos de aquisição do conhecimento. É nosso desejo que os docentes utilizem esses recursos. Por outro lado, o desenvolvimento de metodologias de ensino precisa estar alinhado ao uso crescente do ferramental tecnológico - afirmou o Vice-reitor para Assuntos Acadêmicos, professor José Ricardo Bergmann.

Na abertura do encontro, Bergmann lembrou da importância de compartilhar conhecimento para que as ações empreendidas por um grupo de professores encontrem eco em toda a Universidade. “É o momento de voltarmos nossa atenção para o ensino”, frisou o Vice-reitor.

A coordenadora central de graduação, professora Daniela Vargas, observou, em seguida, a importância dos seminários para expor novas práticas pedagógicas para os professores de uma forma que não seja maçante. “Nada melhor do que ver experiências exitosas, ver que é possível, e que temos tidos bons resultados. Como pontuou o professor Bergmann, é importante a inovação na pesquisa, mas também no ensino”, salientou.

Antes do início das apresentações, a professora Gilda Campos, coordenadora da CCEAD, reforçou a importância de os professores aderirem, de fato, às ferramentas digitais tanto para facilitar a aprendizagem quanto para favorecer a autonomia dos alunos.

 

Experiências

Debora Mondaini - Coordenadora adjunta do Ciclo Básico do Centro Técnico Científico, a professora Debora realizou a primeira apresentação, que tratou da eficiência do uso de ferramentas computacionais como o Maple e o Matlab, no ensino de Cálculo e Álgebra Linear, e de Python e C em Programação, dentro de laboratórios de computação. Ela destacou como uma vitória para o Ciclo Básico contar com aulas diferenciadas dentro desses laboratórios.

“Os softwares são capazes de tornar o aprendizado mais fácil e efetivo com as práticas já em sala de aula. Os alunos têm que mostrar que estão mexendo. Há uma resistência inicial, quando o aluno pensa que o conteúdo aumentou pelo uso do software, mas em seguida ele percebe o quanto é uma ferramenta importante e deslancha”, comentou.

De acordo com Debora, o Ciclo Básico do CTC também conta com repositório unificado de material das diferentes disciplinas, e seu site está integrado ao ambiente de aprendizagem da PUC oferecendo informações de forma sincronizada. “Isso é fundamental considerando que o CB abrange cerca de 1.600 alunos, que cursarão, posteriormente, as engenharias, física, química ou matemática, e administra 30 disciplinas por semestre”.

A professora destacou o fato de cada disciplina contar com página própria, contemplando bancos de questões quantitativas e qualitativas e questionários destinados a avaliações presenciais e semipresenciais, no ambiente de aprendizagem online. Pode ser feita uma programação para a entrada dos materiais, pouco a pouco.

Debora sublinhou ainda a importância, para a aprendizagem dos alunos, da produção de vídeos curtos – com não mais do que cinco minutos - tanto em estúdio quanto caseiros, como o que apresenta a mão da professora resolvendo questões. “É preciso investir na produção desses vídeos como material complementar”, concluiu.

Leila Vilela – A Coordenadora Geral do Serviço de Orientação ao Universitário do CTC (SOU –CTC) – que presta suporte aos alunos do Centro e subsidia a comunidade acadêmica com informações que a auxiliem a diminuir as lacunas de aprendizagem entre o ensino médio e a universidade – abordou a utilização de relatórios provenientes do ambiente de aprendizagem online de algumas disciplinas, para análise dos perfis dos alunos. O objetivo é tentar identificar e mostrar ao aluno os pontos em que está tendo mais dificuldade.

Segundo Leila, essa avaliação diagnóstica deverá evoluir para que os objetivos de aprendizagem se modifiquem de acordo com o desempenho dos alunos. “Gostaríamos de tornar os questionários cada vez mais inteligentes, adaptados aos desempenhos particulares”. Além disso, a coordenadora espera que mais disciplinas possam contar com os testes.

Maria Cláudia Freitas – A Coordenadora de Graduação de Letras destacou o uso da tecnologia na criação do nivelamento online de línguas, destacando benefícios como a não necessidade de alocar espaço físico e funcionários e a redução de uso de papel.

De acordo com Maria Claudia, a ideia surgiu da melhor visibilidade para disciplinas eletivas no novo sistema de matrículas, uma vitrine para o ensino de línguas estrangeiras.

Entre as facilidades do ambiente de aprendizagem online, destacou, para os professores, a correção automática de questões de múltipla escolha, e, para os alunos, a possibilidade de realizar a prova no horário em que mais lhe convier, lembrando que, ao iniciar, terá que concluir. “Antes da prova, o aluno preenche um questionário. Nossa meta para os próximos nivelamentos será tabular os dados dos alunos para estabelecer perfis. ”

Na primeira experiência realizada, Maria Claudia qualificou como positivos tanto a percepção dos professores com relação à mudança quanto o procedimento em si.

Marivani Pereira – A professora de Cultura Religiosa teceu um balanço sobre os cinco anos de experiência da Teologia com o ensino a distância das disciplinas Cultura Religiosa e O Ser Humano e o Fenômeno Religioso. As disciplinas estão distribuídas em cinco turmas online, em que os alunos interagem com professores mediadores. As interações com o professor, e entre os alunos, se dão por intermédio de fóruns e debates. Ao final do curso, é realizada uma prova presencial.

Marivani destacou uma série de desafios observados na educação o ensino a distância, apresentando, em seguida, soluções encontradas: para organizar a rotina de estudos, uma dificuldade encontrada pelos alunos, foram pensados fóruns semanais; já para aprimorar a participação nos fóruns, foram feitos ajustes nas práticas pedagógicas. “Com relação à evasão, buscamos trabalhar o foco no aluno, através do professor mediador, que sempre solicita feedback sobre a matéria, além de estimular a autonomia e a interatividade nos fóruns”, explicou.

Segundo a professora, é efetuada uma avaliação do ambiente no dia da prova presencial, que tem mostrado, de uma forma geral, bastante bem-recebido por parte dos alunos: “eles reportam um ganho de autonomia na aprendizagem, ter aprimorado sua capacidade de organização, e declaram-se surpreendidos positivamente”.

Luiz Felipe Carvalho – O professor de Administração/Empreendedorismo apresentou um conceito de inversão entre as práticas em sala e online, em que utiliza o tempo da aula presencial para fomentar a dinâmica de grupo, e discute a teoria através de tarefas no ambiente de aprendizagem online. “Os alunos interagem presencialmente e, em seguida, aplicam a teoria e refletem, discutem sobre os conceitos nos fóruns. Cerca de 85% da turma participam dos fóruns”, informou.

Luiz Felipe ressaltou o fato de a aprendizagem ativa proporcionar mais autonomia à busca por conteúdo digital. Junto a alunos de Artes&Design, ele desenvolveu um quiz em que os alunos são estimulados a acessar o celular e dar as respostas, que aparecem em uma tela durante a aula presencial.

Sinésio Pesco – O professor da Matemática abordou as experiências com o uso do software Matlab nas aulas semipresenciais. Retomando a apresentação da professora Debora, explicou que a ferramenta é altamente complementar ao Maple. “O Matlab é numérico, e o Maple simbólico”.

Além das ferramentas, que estimulam o curso, Sinésio chamou a atenção para a necessidade permanente de o professor produzir e disponibilizar novos materiais para manter o interesse do aluno. “O ambiente de aprendizagem online pode auxiliar nesse trabalho, pode auxiliar na geração de um grande número de questões. Estamos desenvolvendo agora exercícios calculados no ambiente integrando o Matlab”, comentou.

Sinésio classificou os vídeos como fundamentais à aprendizagem: “no caso da Matemática, solicitamos a adaptação do estúdio da CCEAD para nosso modelo de aula”. Ele destacou ainda que avaliação manuscrita semanal exigida pelo curso é também uma forma de o aluno perceber que está trabalhando.

Edgar Lyra – O Coordenador de Graduação da Filosofia, junto à professora Marcela Oliveira – responsável pelo trabalho de reformulação da modalidade a distância da disciplina FIL 1000 - apresentaram o novo formato, que conta com um módulo introdutório de cinco aulas e quatro módulos optativos: Estética, Ética/ Política, Ciência/ Natureza/ Linguagem, cada um com oito aulas.

Entre as mídias utilizadas, os professores destacaram o podcast – programa Amigos da Sabedoria e o recurso de linhas do tempo – relacionando o Antigo e o Moderno, de forma sintética. Vídeos e textos para leitura complementar são trabalhados no fórum de discussões, e envolvem alunos das mais diversas áreas.

Ao final do curso, o feedback dos alunos é usado para aprimorar a experiência.

 

Outras experiências com a utilização de tecnologias digitais de informação e comunicação na Educação podem ser conhecidas em reportagens da Revista Asas, publicação digital da Coordenação Central de Educação a Distância - http://www.asasead.net/asasEAD/

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