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Centro de Ciências Sociais - CCS
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Informações sobre as linhas de pesquisaImagem ilustrativa deste item

item Área de concentração: Servi√ßo Social, Questão Social, Direitos Sociais.

sub-item Linhas de pesquisa 1: Trabalho, Políticas Sociais e Sujeitos Coletivos

Funda-se nas categorias trabalho, pol√≠ticas sociais e sujeitos coletivos, considerando a import√Ęncia das mesmas para o Servi√ßo Social, tendo em vista os processos sociais que, atualmente, redefinem a quest√£o social. A presen√ßa e a articula√ß√£o de tais dimens√Ķes √© considerada fundamental, tanto para o entendimento dos processos constitutivos de cada uma delas, como para a compreens√£o das respostas sociais que, hist√≥rica e atualmente, s√£o dadas √† quest√£o social e suas manifesta√ß√Ķes. Nesse sentido, a linha prop√Ķe-se a ser um espa√ßo de forma√ß√£o de pesquisadores que tenham como objeto de estudo tanto quest√Ķes hist√≥rico-conceituais como an√°lises emp√≠rico-te√≥ricas relativas aos temas que constituem a linha. Em um contexto de mundializa√ß√£o do capitalismo, novas formas e significados do trabalho foram colocados no centro do debate acad√™mico. Nesse processo, s√£o levadas em considera√ß√£o as circunst√Ęncias hist√≥ricas locais e a inser√ß√£o de cada pa√≠s na estrutura global de desenvolvimento socioecon√īmico, uma vez que o desenvolvimento capitalista √© contradit√≥rio e desigual. Dessa forma, os problemas que envolvem o mundo do trabalho apresentam aspectos complexos que merecem uma reflex√£o cuidadosa, no sentido de ser poss√≠vel compreender as configura√ß√Ķes atuais do trabalho, seu significado e sua articula√ß√£o com os processos produtivos, com as pol√≠ticas de gest√£o, e com a organiza√ß√£o e a√ß√£o pol√≠tica dos trabalhadores. Al√©m disso, busca-se examinar, igualmente, as condi√ß√Ķes de precariza√ß√£o do trabalho, condi√ß√Ķes de trabalho, mercado de trabalho e o processo de segmenta√ß√£o da classe trabalhadora. Quanto √†s pol√≠ticas sociais e seu reordenamento institucional na Am√©rica Latina e no Brasil, a linha busca tratar de quest√Ķes tanto vinculadas ao avan√ßo da privatiza√ß√£o como dos desafios colocados pela descentraliza√ß√£o e municipaliza√ß√£o das pol√≠ticas, com a reemerg√™ncia de fen√īmenos pol√≠tico-culturais extremamente arcaicos. No contexto das pol√≠ticas sociais, destaca-se o conjunto de mudan√ßas introduzidas nos sistemas de prote√ß√£o, com √™nfase na nova Pol√≠tica Nacional de Assist√™ncia Social em implanta√ß√£o no pa√≠s. Ademais, as mudan√ßas nas concep√ß√Ķes e nas a√ß√Ķes na √°rea social e nas formas de gest√£o do Estado, bem como os rearranjos institucionais, t√™m resultado em redefini√ß√Ķes da interven√ß√£o profissional do Servi√ßo Social no pa√≠s. Quanto aos sujeitos coletivos, s√£o aqui considerados em diferentes dimens√Ķes. Dessa forma, incluem tanto os sujeitos que atuam coletivamente de forma organizada (sindicatos, associa√ß√Ķes profissionais, movimentos sociais, organiza√ß√Ķes populares) como as formas de a√ß√£o pol√≠tico-culturais apresentadas por grupos sociais e usu√°rios das pol√≠ticas sociais, como resposta √†s interven√ß√Ķes sociais e institucionais das quais s√£o alvos. Considera-se, na inclus√£o dessa dimens√£o, o pressuposto te√≥rico-pol√≠tico de que as pol√≠ticas sociais s√£o sempre ‚Äď de forma expl√≠cita ou n√£o ‚Äď respostas a demandas e conflitos existentes (ou potenciais) no cen√°rio p√ļblico. Em s√≠ntese, a linha de pesquisa procura enfocar as media√ß√Ķes te√≥ricas e hist√≥ricas presentes nas quest√Ķes referentes ao trabalho, as pol√≠ticas sociais e aos sujeitos coletivos a eles relacionados. Abrange a compreens√£o dessas dimens√Ķes, suas mudan√ßas, as articula√ß√Ķes que estabelecem entre si e com o contexto profissional do Servi√ßo Social.

 

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sub-item Linhas de pesquisa 2 : Violência, Direitos, Serviço Social e Políticas Intersetoriais
Considerando as transforma√ß√Ķes significativas da sociedade contempor√Ęnea e suas implica√ß√Ķes no √Ęmbito das rela√ß√Ķes sociais, esta linha de pesquisa tem como objetivo aprofundar a compreens√£o sobre os temas da viol√™ncia, dos direitos e das pol√≠ticas intersetoriais, tendo por base a natureza do servi√ßo social na perspectiva da efetiva√ß√£o dos direitos na sociedade brasileira. Estes temas ampliam o debate da quest√£o social, alargando as perspectivas de abordagem dos fen√īmenos a serem estudados. O tema da viol√™ncia, em suas m√ļltiplas express√Ķes, encontra-se presente nos mais diversos segmentos da sociedade nos contextos familiar, institucional e comunit√°rio. Por articular elementos de diferentes naturezas, seu estudo indica a necessidade de se estabelecer distin√ß√Ķes entre suas dimens√Ķes, desde a viol√™ncia estrutural √† viol√™ncia interpessoal, constituindo uma tem√°tica importante de estudo e pesquisa do ponto de vista te√≥rico-pr√°tico e das pol√≠ticas sociais em curso. A viol√™ncia, embora antiga, hoje se configura como uma das express√Ķes mais significativas da quest√£o social. Re-atualizada sob novas formas ganha visibilidade p√ļblica, atingindo diferentes grupos sociais, cujos direitos v√™m sendo historicamente violados (mulheres, crian√ßas, adolescentes e jovens, idosos, portadores de defici√™ncia e transtornos mentais, entre outros). Sabe-se que um dos mecanismos de enfrentamento da viol√™ncia est√° na promo√ß√£o de uma cultura de respeito aos direitos dos cidad√£os. Neste sentido, o debate, nacional e internacional, sobre a prote√ß√£o, defesa e garantia de direitos vem apontando significativos avan√ßos e, ao mesmo tempo desafios que precisam ser enfrentados na formula√ß√£o e na implementa√ß√£o das pol√≠ticas p√ļblicas, tanto no campo da assist√™ncia social quanto em suas rela√ß√Ķes intersetoriais. O tratamento setorializado dos problemas sociais que vem demarcando as pol√≠ticas p√ļblicas n√£o responde √† complexidade das situa√ß√Ķes vividas pelas pessoas, dificultando o exerc√≠cio da cidadania e impedindo que suas necessidades sejam consideradas em sua totalidade. Assim, a implementa√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas que articulem diferentes setores num agir em conjunto √© um importante desafio, cuja an√°lise proposta nesta linha de pesquisa, poder√° contribuir para sua efetiva√ß√£o. O Servi√ßo Social, historicamente articulado √† quest√£o social em sua inter-rela√ß√£o com os direitos humanos, constitui um campo privilegiado para o desenvolvimento de pesquisas que ofere√ßam subs√≠dios para a elabora√ß√£o, implementa√ß√£o e avalia√ß√£o de pol√≠ticas sociais e de pol√≠ticas p√ļblicas relacionadas √†s v√°rias formas de viol√™ncia e de viola√ß√£o dos direitos. Pol√≠ticas essas que garantam condi√ß√Ķes de cidadania e criem estrat√©gias inovadoras de a√ß√£o, favorecendo o desenvolvimento de processos democr√°ticos e produzindo conhecimentos que possibilitem estabelecer uma interlocu√ß√£o com outros saberes. Em s√≠ntese, esta linha tem como proposta aprofundar a compreens√£o das m√ļltiplas manifesta√ß√Ķes do fen√īmeno da viol√™ncia como uma das express√Ķes mais significativas da quest√£o social, presente nos diversos segmentos da sociedade, nos contextos familiar, institucional e comunit√°rio. Seu foco volta-se para o desenvolvimento de pesquisas que possam subsidiar pol√≠ticas sociais e pol√≠ticas p√ļblicas em suas rela√ß√Ķes intersetoriais, bem como estrat√©gias de a√ß√£o voltadas para promo√ß√£o, prote√ß√£o, defesa e garantia dos direitos dos cidad√£os.

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sub-item Linhas de pesquisa 3: Questões socioambientais, urbanas e formas de resistência social

A irrup√ß√£o do discurso ecol√≥gico a partir dos anos 1960 na m√≠dia, assim como na pauta pol√≠tica de partidos, movimentos sociais, governos e institui√ß√Ķes internacionais fez do meio ambiente uma das quest√Ķes centrais em torno do qual a√ß√Ķes e projetos se reformularam em busca de legitimidade. Mais recentemente, tem-se desenvolvido uma ampla linha de reflex√£o que, superando a suposta hierarquiza√ß√£o da quest√£o social e ambiental quanto √† defini√ß√£o de prioridades pol√≠ticas e te√≥ricas, considera fundamental se pensar a articula√ß√£o entre ambas. A problematiza√ß√£o das quest√Ķes socioambientais n√£o deve se contentar em refletir somente sobre a prote√ß√£o da biodiversidade ou a conserva√ß√£o dos recursos renov√°veis; ela deve, sobretudo, articular tais quest√Ķes com o desafio de reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, promovendo uma maior justi√ßa social, valorizando a diversidade cultural e, enfim, consolidando o processo democr√°tico no pa√≠s. O modelo de desenvolvimento brasileiro nas √ļltimas d√©cadas aprofundou os mecanismos de apropria√ß√£o desigual das riquezas socialmente produzidas, no qual os custos das externalidades negativas dessas atividades s√£o compartilhados de maneira assim√©trica, recaindo, sobretudo, sobre os grupos mais desfavorecidos. A configura√ß√£o urbana das cidades brasileiras √© representativa dessa realidade, refletindo processos hist√≥ricos dos movimentos de mudan√ßas sociais e ecol√≥gicas. A reflex√£o contempor√Ęnea sobre a cidade emerge, assim, a partir da constata√ß√£o das iniquidades provocadas pela industrializa√ß√£o, e a consequente urbaniza√ß√£o acelerada. O estudo das interven√ß√Ķes urbanas n√£o deve se resumir aos aspectos materiais da cidade. A reforma urbana deve ser compreendida como parte de uma reforma social que reproduz desigualdades sociais e transfere riscos socioambientais √†s camadas mais desfavorecidas da popula√ß√£o. A articula√ß√£o ambiental do urbano suscita uma reflex√£o hist√≥rica sobre o embate entre tecnifica√ß√£o e politiza√ß√£o do espa√ßo. A cidade √© mais do que um assentamento urbano, √© o centro da vida social e pol√≠tica. Neste sentido, √© preciso ampliar os horizontes de reflex√£o sobre a cidade, incorporando os desafios contempor√Ęneos da constru√ß√£o da cidadania, decorrentes das mudan√ßas e continuidades da ordem s√≥cio espacial e institucional das metr√≥poles brasileiras. A mobiliza√ß√£o pol√≠tica deve implicar estrat√©gias de resist√™ncia social que sejam capazes de enfrentar a distribui√ß√£o desigual das amea√ßas ambientais. Do ponto de vista das formas atuais de resist√™ncia social, destacam-se aquelas ligadas √†s rela√ß√Ķes de g√™nero e raciais. O aparecimento de novas express√Ķes da subalternidade sociopol√≠tica da mulher no mundo ocidental, curiosamente, se conforma em paralelo ao chamado "avan√ßo" do movimento feminista p√≥s-1968. √Č neste contexto que emerge o tema da "feminiza√ß√£o do poder" como objeto a ser estudado. A concep√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas que busquem enfrentar a iniquidade entre os g√™neros na sociedade brasileira se constitui como uma possibilidade de supera√ß√£o de mazelas socioambientais duradouras. No que tange os esfor√ßos de supera√ß√£o das desigualdades raciais brasileiras, h√° que se conhecer o alcance e os limites das pol√≠ticas p√ļblicas que se referem especificamente √† popula√ß√£o negra. Neste contexto, visibilizaram-se movimentos de constru√ß√£o e afirma√ß√£o de identidades - nacionais e transnacionais -, tendo em vista a constru√ß√£o de novos sujeitos sociais, que s√£o coletivos por natureza. Estes se afirmam como sujeitos de direitos e suas demandas transcendem as lutas hist√≥ricas pela redu√ß√£o das desigualdades sociais e econ√īmicas. Esta linha de pesquisa vem tratando sistematicamente, atrav√©s de projetos de pesquisa e de extens√£o, das atuais formas de resist√™ncia social no espa√ßo urbano.

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