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Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social
Pós-Graduação
 
 

Projetos de pesquisa Imagem ilustrativa deste item

Linha de Pesquisa: Comunicação e Produção

Comunicação, Internet e Política: Os impactos da Web no contexto democrático brasileiro
Docente: Prof. Dr. Arthur Ituassu

Descrição:

Este projeto de pesquisa trata dos efeitos da comunica√ß√£o pol√≠tica digital na democracia brasileira. Nesse contexto, analisa impactos e potencialidades da Web nos planos institucional, representativo, informativo, participativo e deliberativo da pol√≠tica no Brasil. O projeto √© desenvolvido no √Ęmbito do Grupo de Pesquisa em Comunica√ß√£o, Internet e Pol√≠tica da PUC-Rio (COMP) e agrega estudos sobre internet e informa√ß√£o pol√≠tica, internet e opini√£o p√ļblica, internet e esfera p√ļblica, internet e transpar√™ncia pol√≠tica, internet e representa√ß√£o pol√≠tica, internet e participa√ß√£o, internet e delibera√ß√£o, internet e elei√ß√Ķes etc.

Antecedentes:

A proposta segue questionamentos anteriores desenvolvidos no campo da internet e democracia e da internet e representa√ß√£o pol√≠tica (ITUASSU 2011; 2012; 2013; 2014; 2015). O projeto se insere em uma tradi√ß√£o que envolve estudos de m√≠dia e pol√≠tica no Brasil, impulsionada pela experi√™ncia das elei√ß√Ķes presidenciais diretas de 1989 e refor√ßada nos encontros do Grupo de Trabalho de Comunica√ß√£o e Pol√≠tica da Associa√ß√£o Nacional dos Programas de P√≥s-Gradua√ß√£o em Comunica√ß√£o (Comp√≥s) e nos congressos da Associa√ß√£o Brasileira de Pesquisadores em Comunica√ß√£o e Pol√≠tica (Compol√≠tica).

Perspectivas teóricas:

As implica√ß√Ķes que a comunica√ß√£o via internet traz ou pode trazer para o mundo da pol√≠tica ou mais especificamente para a democracia j√° se configuram como um tema consolidado na √°rea da Comunica√ß√£o Social, em especial no campo de Comunica√ß√£o e Pol√≠tica. Para al√©m dos artigos acad√™micos, a quest√£o est√° presente h√° algum tempo nas obras e colet√Ęneas da √°rea (BENNETT; ENTMAN, 2001; GOMES; MAIA, 2008; CHADWICK; HOWARD, 2009; COLEMAN; BLUMER, 2009; MIGUEL; BIROLI, 2010 etc.). Nesse contexto, estudos s√£o desenvolvidos sobre os impactos da Web nos campos da informa√ß√£o pol√≠tica, transpar√™ncia, representa√ß√£o pol√≠tica, participa√ß√£o e delibera√ß√£o, bem como sobre o uso estrat√©gico da comunica√ß√£o pol√≠tica digital no √Ęmbito eleitoral, sempre respeitando-se os eixos tradicionais da teoria democr√°tica: liberalismo, republicanismo e deliberacionismo (HABERMAS, 1994; GOMES; MAIA, 2008; ITUASSU, 2011).¬†¬† ¬†

Objetivos:

  • Refletir sobre os efeitos da os efeitos da comunica√ß√£o pol√≠tica digital na democracia brasileira;
  • Analisar impactos e potencialidades da Web nos planos institucional, representativo, informativo, participativo e deliberativo da pol√≠tica no Brasil.

Metodologia:

O projeto de pesquisa segue uma orienta√ß√£o epistemol√≥gica pragm√°tica (CRESWELL, 2008), i.e., centrada na aplica√ß√£o de m√©todos espec√≠ficos para a abordagem de problemas propostos. Segundo te√≥ricos dessa escola, o pragmatismo como epistemologia surge da an√°lise de a√ß√Ķes, situa√ß√Ķes ou consequ√™ncias e n√£o de condi√ß√Ķes antecedentes "naturais" ou independentes, como no positivismo ou p√≥s-positivismo. Em vez de focada no m√©todo, a pesquisa pragm√°tica enfatiza o problema de pesquisa e o uso de todos os instrumentos dispon√≠veis para a abordagem do problema. Nesse sentido, sua caracter√≠stica fundamental consiste na aten√ß√£o devida ao estabelecimento de uma quest√£o pr√≥pria do campo da Comunica√ß√£o e Pol√≠tica e no uso de t√©cnicas e abordagens plurais para o seu entendimento. Nesse sentido, a pesquisa abra√ßa metodologias qualitativas e quantitativas de trabalho, privilegiando a defini√ß√£o do "o que" e do "por que" antes da escolha do "como" (JENSEN; JANKOWSKI, 1991).

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O Sagrado no Cinema: Cultura, Religi√£o e Sociedade
Docente: Prof. Dr. Miguel Pereira

Descrição:

Estudos sobre as rela√ß√Ķes do cinema com o campo religioso, especialmente com a Igreja Cat√≥lica no Brasil: Institui√ß√Ķes, forma√ß√£o, cursos, cineclubes, pr√™mios, publica√ß√Ķes. Estudos de obras cinematogr√°ficas que abordam o sagrado, o religioso e o espiritual. Descri√ß√£o: Este projeto pretende elaborar estudos e pesquisas sobre as rela√ß√Ķes do cinema com o campo religioso, especialmente com a Igreja Cat√≥lica no Brasil: Institui√ß√Ķes, forma√ß√£o, cursos, cineclubes, pr√™mios, publica√ß√Ķes. Estudos de obras cinematogr√°ficas que abordam o sagrado, o religioso e o espiritual.

Projeto: O Cinema e o Sagrado: Religi√£o, Cultura e Sociedade

1 . Proposta e fundamentação
Este projeto pretende elaborar estudos e pesquisas sobre as rela√ß√Ķes do cinema com o campo religioso, especialmente com a Igreja Cat√≥lica no Brasil: Institui√ß√Ķes, forma√ß√£o, cursos, cineclubes, pr√™mios, publica√ß√Ķes. Estudos de obras cinematogr√°ficas que abordam o sagrado, o religioso e o espiritual. A pesquisa sobre o campo religioso e o cinema est√° experimentando um ressurgimento e o interesse dos estudos acad√™micos, n√£o apenas no Brasil, mas tamb√©m na Europa e Estados Unidos. Por aqui, em v√°rias universidades formaram-se grupos de pesquisa e n√ļcleos de estudos que realizam congressos, encontros e semin√°rios (UFMG, USP, METODISTA, PUC-Rio, UNISINOS, UAM, UESB, UFBA, PUCSP, entre outras). Nos encontros da SOCINE, j√° √© tradicional a presen√ßa do tema em mesas constitu√≠das e comunica√ß√Ķes individuais. Na pr√≥pria Comp√≥s, essa quest√£o vem aparecendo em todos os seus encontros. A quest√£o religiosa e o cinema est√£o no √Ęmbito da pesquisa nacional, sem qualquer d√ļvida. No que diz respeito aos estudos internacionais, s√£o muitas e antigas as iniciativas e o desenvolvimentos dos estudos nesse campo de interse√ß√£o do cinema com aspectos religiosos. Uma das reflex√Ķes mais not√°veis sobre o personagem religioso no cinema √©, sem d√ļvida, o denso ensaio de Andr√© Bazin em seu Qu¬īest ce que le cinema?, editado, em quatro volumes, de 1959 a 1961, e agora numa vers√£o em portugu√™s completa (BAZIN: 2014). Vale ainda citar estudos cl√°ssicos de Am√©d√©e Ayfre, Dieu au cin√©ma: probl√®mes esthetiques du film religieux (AYFRE: 1953); Henri Agel, Le cinema et le sacr√© (AGEL: 1953); Ren√© Ludmann, Cinema, f√© e moral (LUDMANN: 1959), s√≥ para registrar alguns t√≠tulos, da d√©cada de 50, em que o personagem do padre est√° presente. Novos textos e pesquisas est√£o surgindo em diferentes pa√≠ses a partir de n√ļcleos em universidades ou institutos de investiga√ß√£o. Um dos projetos mais amplos e de grande espectro √©, sem d√ļvida, o que foi lan√ßado em maio de 2014, em Mil√£o, que pretende dar conta do tema com a pesquisa I cattolici e il cinema tra gli anni 40 e gli anni 70. O mesmo vem ocorrendo no Brasil, num crescente interesse pela pesquisa acad√™mica voltada para as rela√ß√Ķes da religi√£o com o cinema em suas diferentes possibilidades. Esta hist√≥ria, por√©m, n√£o √© nova. Podemos localizar pelo menos quatro centros em que o interesse da Igreja Cat√≥lica e de algumas institui√ß√Ķes suas se voltaram para o cinema nas d√©cadas de 1940, 1950 e 1960. No Rio de Janeiro, a A√ß√£o Social Arquidiocesana (ASA) cria um centro de forma√ß√£o para o cinema que se tornou refer√™ncia em todo o pa√≠s. Em S√£o Paulo, o jesu√≠ta padre Lopes cria no Col√©gio S√£o Lu√≠s um curso superior de cinema, onde estudaram entre outros Luiz Sergio Person e Carlos Reichembach. Outro jesu√≠ta, padre Massote, faz o mesmo, criando, na PUC de Belo Horizonte, um curso superior de cinema, em 1962. Em Porto Alegre, Humberto Didonet faz do cineclube Pr√≥ Deo um centro de educa√ß√£o cinematogr√°fica. Ao longo dessas tr√™s d√©cadas, registros de atividades cinematogr√°ficas ligadas √† Igreja Cat√≥lica est√£o presentes em diferentes regi√Ķes do Brasil. Trata-se de um campo ainda em processo de legitima√ß√£o, mas com uma hist√≥ria te√≥rico-metodol√≥gica bastante consistente.

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Imagin√°rio e pr√°ticas sociais nas narrativas televisivas
Docente: Tatiana Oliveira Siciliano

Descrição:

Este projeto prop√Ķe compreender o processo de constru√ß√£o do imagin√°rio social a partir das narrativas ficcionais televisivas, veiculadas em canais abertos e/ou por assinatura. Pretende-se analisar tanto as narrativas do ponto de vista de sua produ√ß√£o de significados e da constru√ß√£o de modelos culturais, pr√°ticas de consumo; como compreender as formas de recep√ß√£o das m√ļltiplas audi√™ncias.

Antecedentes:
As pesquisas se inserem em um conjunto de interesses tem√°ticos sobre as pr√°ticas de consumo, h√°bitos de m√≠dia, distin√ß√Ķes operadas a partir dos gostos, os significados das narrativas ficcionais e publicit√°rias levando em conta grupos distintos de consumidores e an√°lise dos discursos ficcionais como representa√ß√Ķes sobre o imagin√°rio social. ¬†As intera√ß√Ķes entre os meios de comunica√ß√£o, as formas de narratividade e a recep√ß√£o v√™m sendo transformadas ao longo do tempo e, mais intensamente, na contemporaneidade com a emerg√™ncia das novas tecnologias digitais.

Objetivos:
O objetivo central √© compreender como os discursos ficcionais televisivos disseminam representa√ß√Ķes sobre as rela√ß√Ķes cotidianas, formas de sociabilidade, concep√ß√Ķes sobre moda e estilos de vida, ao operarem como modelos de valores aceitos e rejeitados, da forma√ß√£o do gosto e da l√≥gica da distin√ß√£o. Tamb√©m se intenciona investigar como as audi√™ncias reelaboram esses discursos, a partir de suas experi√™ncias e “l√≥gicas de usos” (Certeau, 2008) transformando-os em viv√™ncias pr√≥prias.¬† Para isso, ser√£o aprofundadas as seguintes quest√Ķes:

  • An√°lise dos programas ficcionais televisivos e das publicidades veiculadas na televis√£o a partir de seus conte√ļdos (ex: contexto de veicula√ß√£o, formato, enredo, cen√°rio, figurino, etc.) com objetivo de identificar como tais bens culturais contribuem para a constru√ß√£o de modelos classificat√≥rios de vis√Ķes de mundo, comportamentos, estilos de vida e l√≥gicas de consumo. ¬†
  • Identificar como as representa√ß√Ķes sobre padr√Ķes de comportamento, valores, consumo, moda, modelos de corpo, de sociabilidade e c√≥digos de etiqueta s√£o, subjetivamente assimiladas e resignificadas pela recep√ß√£o, a partir das pr√≥prias experi√™ncias e de marcadores como g√™nero, gera√ß√£o, escolaridade, profiss√£o, classe social e estilo de vida.
  • Refletir como as audi√™ncias constroem suas identidades a partir de repert√≥rios produzidos pelas narrativas televisivas.
  • Compreender o processo de como s√£o socialmente constru√≠das as cren√ßas e as vis√Ķes de mundo dos telespectadores a partir das media√ß√Ķes entre veicula√ß√£o e recep√ß√£o.
  • Desenvolvimento de grupos de pesquisa voltados para a investiga√ß√£o e a reflex√£o sobre a interlocu√ß√£o entre os produtos ficcionais televisivos e a narrativa publicit√°ria, tanto no que diz respeito √† constru√ß√£o de matrizes sobre pr√°ticas consumo e estilos de vida, como no processo apropria√ß√£o subjetiva dessas representa√ß√Ķes pelas m√ļltiplas audi√™ncias.

Perspectivas teóricas
A televis√£o, sobretudo a televis√£o aberta, vem se mantendo como o meio de comunica√ß√£o hegem√īnico e que recebe, conforme relatam pesquisas de m√≠dia, a maior parcela dos ¬†investimentos publicit√°rios no Brasil. No entanto, o quadro de estabiliza√ß√£o econ√īmica e de expans√£o do consumo nas camadas populares, vivenciado nos √ļltimos anos, permitiu um crescimento da televis√£o paga nos lares. ¬†A grande audi√™ncia da televis√£o, e da√≠ o interesse dos anunciantes em veicularem suas marcas nesse meio, sublinha o seu importante papel como produtora e disseminadora de conte√ļdos simb√≥licos. N√£o √© poss√≠vel pensar na cultura de massa no Brasil, sem pensar na televis√£o. Destaca-se sua import√Ęncia como produto da ind√ļstria do entretenimento e da informa√ß√£o, sua capacidade de construir not√≠cias, de lan√ßar modas, de influenciar o consumo e de produzir novas pr√°ticas de sociabilidade. Tamb√©m sublinha-se o seu papel de “f√°brica de sonhos” que converte o indiv√≠duo an√īnimo em celebridade, que transforma pessoas comuns em bem vestidas, experts em decora√ß√£o ou portadores de silhuetas mais em linha com os “modelos” veiculados. Afinal, a televis√£o - por sua grande audi√™ncia e elevado poder de negocia√ß√£o comercial ‚Äď se constitui contemporaneamente na mais poderosa “m√°quina do imagin√°rio coletivo” (Rocha, 1995).

Ao circular um amplo repert√≥rio de conte√ļdos que v√£o desde os programas gourmet, passando por dicas de viagens at√© aconselhamentos sobre investimentos financeiros; pode-se dizer que as narrativas televisivas sugerem caminhos para os telespectadores constru√≠rem suas identidades, aqui entendidas como autoexpress√Ķes, como busca de singulariza√ß√Ķes a partir da reapropria√ß√£o e da manipula√ß√£o subjetiva dos significados simb√≥licos veiculados (Campbell, 2004 e 2006). ¬†√Č conhecida a capacidade das personalidades televisivas de lan√ßarem moda no vestu√°rio, no uso de penteados e de cortes de cabelo, na decora√ß√£o dos ambientes, nos cuidados com o corpo e com o “bem-estar”. Enfim, divulgam n√£o apenas servi√ßos e produtos, mas pr√°ticas sociais e vis√Ķes de mundo. Ao serem reconhecidas como celebridades ou ao gerarem empatia nas tramas atrav√©s de suas personagens, tornam-se s√≠mbolos e refer√™ncias, que tamb√©m s√£o apropriados pelas narrativas publicit√°rias, potencializando tais representa√ß√Ķes sobre o consumo.

Parte-se do pressuposto de que as narrativas televisivas s√£o socialmente constru√≠das (Berger e Luckmann,1985). ¬†Para decodificar os significados das narrativas televisivas, √© preciso compreender as m√ļltiplas vozes que surgem na intera√ß√£o (Becker, 2009). ¬†Funcionam como textos coletivos que ensinam sobre o ethos da sociedade contempor√Ęnea. As emissoras procuram criar atrav√©s de seus programas, identidades, padr√Ķes de comportamento, sociabilidade e consumo, compreendidos e compartilhados pela audi√™ncia atrav√©s de “uma educa√ß√£o de sentimentos” (Geertz,1973)..

O mundo da televis√£o √© uma atividade social, uma “a√ß√£o coletiva” (Becker, 1977) que envolve m√ļltiplos agentes, pessoas que “fazem coisas juntas”, mediados por conven√ß√Ķes, modos de fazer (regras) e padr√Ķes est√©ticos compreendidos por esse grupo. Em geral, autores de programas televisivos, negociam seus escritos com v√°rios outros agentes: a dire√ß√£o que orquestra todos os envolvidos, os apresentadores e/ou atores que interpretam a mensagem, a produ√ß√£o, a cenografia, a equipe de filmagem, de figurino, etc. Profissionais que, a partir de seu trabalho, podem interferir e alterar o texto original. Al√©m disso, no caso de um programa cont√≠nuo, o conte√ļdo vai sofrendo corre√ß√Ķes e desvios, em fun√ß√£o das “media√ß√Ķes” (M√°rtin-Barbero, 2008) entre produ√ß√£o e recep√ß√£o.

 

Processos comunicativos s√£o pr√°ticas socioculturais e, portanto, decorrem de a√ß√Ķes rec√≠procas entre os indiv√≠duos. Trata-se de diferentes formas de “socia√ß√£o” que englobam tanto afilia√ß√Ķes, como conflitos. Pois a sociedade e seus produtos sociais, como os disseminados pela ind√ļstria cultural, existem sempre que os atores sociais interagem (Simmel, 1970 e 2006); o que n√£o significa que o “campo” da televis√£o seja uma esfera produtora de igualdade. √Č preciso v√™-lo como um processo interativo, mas tamb√©m como uma arena de disputas, na qual nem todos os agentes possuem os mesmos “capitais simb√≥licos” (Bourdieu, 1996, 1997 e 2006). As tomadas de posi√ß√£o no campo e seu peso relativo, em rela√ß√£o aos demais agentes e institui√ß√Ķes, depender√° do lugar ocupado pelo ator social na estrutura. Dessa maneira, √© fundamental identificar, atrav√©s dos discursos televisivos, as m√ļltiplas vozes, nem sempre un√≠ssonas, dos envolvidos: telespectadores, produtores, anunciantes, jornalistas, etc.

  Metodologia

Para compreender os processos de significa√ß√£o sobre as narrativas televisivas nos seus diferentes formatos e modos de veicula√ß√£o, adotaremos como m√©todo de trabalho a coleta, o registro, a compila√ß√£o e a an√°lise dos conte√ļdos televisivos, bem como utilizaremos pesquisas e an√°lises dos materiais sobre audi√™ncia e receptividade de programas televisivos publicados na m√≠dia impressa, internet e sites das emissoras. Tamb√©m ser√£o realizadas pesquisas qualitativas ¬≠- como entrevistas em profundidade, discuss√Ķes em grupo e etnografias - com telespectadores de diferentes idades, g√™neros, escolaridades, profiss√Ķes e classe sociais; produtores de conte√ļdo e formadores de opini√£o.

 

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Narrativas ficcionais na era da convergência de mídias:
    continuidades e desvios do paradigma est√©tico modernista
Docente: Vera L√ļcia Follain de Figueiredo

Descrição:

Literatura e cinema v√™m atravessando grandes transforma√ß√Ķes em fun√ß√£o n√£o s√≥ das tecnologias digitais, mas tamb√©m pela vasta expans√£o da cultura midi√°tica de mercado, que, diluindo as fronteiras entre alta e baixa cultura, p√Ķe em xeque os paradigmas est√©ticos da modernidade. Considerando esse contexto, o projeto concentra-se na an√°lise do fen√īmeno de deslizamento das narrativas ficcionais por suportes e meios diversos, isto √©, no processo cont√≠nuo de reciclagem das intrigas para circula√ß√£o por diferentes plataformas. Trata-se de pensar as altera√ß√Ķes na hierarquia cultural provocadas pela intensifica√ß√£o, na era eletr√īnica, desse movimento de interc√Ęmbio, tanto no que diz respeito √† literatura, cujo prest√≠gio esteve sempre estreitamente relacionado √† aura do suporte livro, quanto no que se refere ao cinema, em decorr√™ncia da multiplica√ß√£o de narrativas transmidi√°ticas, cujo conte√ļdo se desdobra em filmes veiculados nas salas de cinema, em videojogos, hist√≥rias em quadrinhos e seriados televisivos.

Antecedentes:

A presente pesquisa √© um desdobramento do projeto anterior, desenvolvido com apoio do CNPq, em que se analisou a rela√ß√£o entre obras liter√°rias e cinematogr√°ficas brasileiras, na contemporaneidade, enfatizando o papel do mercado editorial como mediador entre os dois campos, ou seja, priorizou-se a sinergia entre a ind√ļstria editorial e a cinematogr√°fica. Mereceu aten√ß√£o especial o empenho crescente do mercado editorial no sentido de criar best sellers a partir das telas, de despertar o interesse pela obra liter√°ria a partir do sucesso de sua vers√£o audiovisual.

Foram, ent√£o, abordadas as mudan√ßas no campo da recep√ß√£o dos textos liter√°rios, decorrentes da vincula√ß√£o a produ√ß√Ķes audiovisuais - vincula√ß√£o que se manifesta, por exemplo, no compartilhamento de espa√ßo com o roteiro, na edi√ß√£o em livro (veja-se o caso do romance O Invasor, de Mar√ßal Aquino, publicado juntamente com o roteiro do filme), ou em reedi√ß√Ķes com imagens e outros tipos de refer√™ncia √†s obras cinematogr√°ficas a que deram origem (veja-se a fotografia de uma cena do filme, estampada na capa da reedi√ß√£o do romance¬† Cidade de Deus, de Paulo Lins). Por esse vi√©s, discutiu-se a quest√£o do lugar da literatura na sociedade midiatizada, levando em conta o impacto da hegemonia dos meios audiovisuais sobre as pautas de produ√ß√£o, consumo e valora√ß√£o da obras liter√°rias.

Objetivos:

  • Dar continuidade √† investiga√ß√£o te√≥rica sobre os processos de deslocamento e intera√ß√£o no campo da produ√ß√£o art√≠stica, decorrentes das novas tecnologias e da expans√£o do mercado de bens culturais.
  • Identificar as transforma√ß√Ķes, no campo da produ√ß√£o e circula√ß√£o de bens culturais, que sinalizam o decl√≠nio do paradigma est√©tico modernista na contemporaneidade, assim como as que apontam para a sua continuidade, ainda que em diferen√ßa.
  • Contribuir para a reflex√£o cr√≠tica sobre a produ√ß√£o liter√°ria e cinematogr√°fica brasileira da √ļltima d√©cada, levando em considera√ß√£o a transposi√ß√£o de textos liter√°rios para as telas e a sobreposi√ß√£o do papel de escritor e roteirista.
  • Investigar a interfer√™ncia, na fatura das obras, do fen√īmeno de expans√£o das fronteiras do campo cinematogr√°fico e liter√°rio.
  • Analisar a interse√ß√£o entre os campos da literatura brasileira e do cinema, √† luz do fen√īmeno mais amplo de deslizamento das narrativas por diferentes meios e suportes.

Perspectivas teóricas:

A dilui√ß√£o das fronteiras formais e materiais entre campos art√≠sticos, na contemporaneidade, remete n√£o s√≥ para transforma√ß√Ķes que sinalizam o decl√≠nio do paradigma est√©tico modernista, mas tamb√©m para aspectos que indicam a sua continuidade, ainda que em diferen√ßa, a despeito das mudan√ßas ocorridas no campo cultural. N√£o se pode deixar de observar, por exemplo, que uma certa euforia, por parte de determinados artistas e cr√≠ticos, diante das¬† possibilidades¬† de emprego da tecnologia digital na esfera art√≠stica, atualiza o entusiasmo modernista com o progresso tecnocient√≠fico. Tamb√©m n√£o se pode esquecer que um elemento-chave do modernismo e das chamadas vanguardas hist√≥ricas era a fertiliza√ß√£o cruzada, a integra√ß√£o, do que se havia considerado artes diversas.¬† Nesse sentido, tem raz√£o Leo Manovich ao afirmar que t√©cnicas, como a montagem disjuntiva ou a colagem de materiais de proced√™ncia diversa, inventadas pelas vanguardas dos anos 20 com o prop√≥sito de promover uma inova√ß√£o est√©tica radical, se converteram em opera√ß√Ķes b√°sicas e rotineiras na era do computador (2006).

Por outro lado, o processo de reciclagem das intrigas ficcionais, o reaproveitamento, pelo mercado, de mat√©rias ficcionais dispon√≠veis, aponta para o decl√≠nio da est√©tica modernista da originalidade e para a afirma√ß√£o de uma est√©tica, derivada da produ√ß√£o cultural de massa, pautada por uma forma peculiar de novidade, que surge do jogo de repeti√ß√Ķes, altern√Ęncias e modula√ß√Ķes: uma est√©tica da diferen√ßa na repeti√ß√£o, como definiu Umberto Eco.

Cada vez mais, a ideia de uma obra-prima acabada, fechada em sua perfei√ß√£o, cede espa√ßo para a do texto em cont√≠nua reelabora√ß√£o, que se quer flex√≠vel, de modo a facilitar o deslizamento por diferentes meios e suportes. O artista, cuja forma√ß√£o tende a ser multim√≠dia, torna-se um orquestrador, trabalhando com mensagens de diversas s√©ries: liter√°rias, visuais, musicais. No caso das narrativas transmidi√°ticas, o processo de cria√ß√£o j√° prev√™ a circula√ß√£o das obras em suportes diferentes, como o livro e a tela do cinema ou da televis√£o. Al√©m dessas iniciativas, que t√™m como ponto de partida a coopera√ß√£o entre v√°rias esferas de produ√ß√£o, cabe destacar, no √Ęmbito das interse√ß√Ķes entre cinema e literatura, que o espa√ßo de tempo entre a publica√ß√£o de um livro e de sua transcria√ß√£o para o cinema tornou-se cada vez mais reduzido, sendo que, por vezes, o romance come√ßa a ser adaptado antes mesmo de ter sido dado como conclu√≠do pelo escritor. Projetos editoriais, como a cole√ß√£o Amores expressos, por exemplo, pressup√Ķem, logo de in√≠cio, a adapta√ß√£o dos romances para as telas, al√©m da realiza√ß√£o de um document√°rio sobre a estada dos escritores nas cidades para onde foram enviados para escrever os romances, e dos blogs, nos quais estes escritores registrariam, dia a dia, verbalmente e atrav√©s de fotografias, as experi√™ncias vividas a partir da participa√ß√£o no projeto.

O fen√īmeno da transcodifica√ß√£o e reciclagem das narrativas ficcionais aponta, portanto, para a necessidade de rever padr√Ķes consagrados de valora√ß√£o. O avan√ßo das tecnologias da comunica√ß√£o e as press√Ķes do mercado favorecem interse√ß√Ķes e deslocamentos que colocam sob suspeita categorias puras e dicotomias, das quais o pensamento ocidental moderno se serviu, na sua determina√ß√£o de tudo classificar e compartimentalizar. Da√≠ a relev√Ęncia, para os estudos da Comunica√ß√£o, do desenvolvimento da reflex√£o te√≥rica sobre os processos de circula√ß√£o dos bens culturais e de converg√™ncia dos meios.

O corpus do projetoNarrativas ficcionais na era da converg√™ncia de m√≠dias: continuidades e desvios do paradigma est√©tico modernista” ser√° composto de narrativas liter√°rias, cinematogr√°ficas e roteiros, assim como de entrevistas e depoimentos de escritores, roteiristas e editores. A an√°lise deste material ser√° fundamentada em bibliografia te√≥rica da √°rea de comunica√ß√£o e de outros campos do saber que com ela dialogam.

Metodologia:

A metodologia a ser utilizada pressup√Ķe a atividade anal√≠tica voltada para as obras que comp√Ķem o corpus da pesquisa, orientada por uma perspectiva comparativista e transdisciplinar, e o tratamento cr√≠tico-ensa√≠stico do problema proposto. O referencial te√≥rico constar√° basicamente de estudos nos campos da Comunica√ß√£o, do Cinema, da Sociologia, da Hist√≥ria cultural, da Est√©tica, da Teoria da Literatura e da Literatura Brasileira contempor√Ęnea.

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